sábado, 1 de dezembro de 2012

Levantamento inédito aponta perda de gelo na Antártica e na Groenlândia


Um time de 47 especialistas de 26 laboratórios internacionais reuniu dados de dez missões de satélites para medir a perda de gelo das calotas de gelo da Antártica e da Groenlândia, e o reflexo disso no aumento do nível do mar.
A conclusão deles é que, desde 1992, o derretimento nessas regiões elevou os oceanos em cerca de 11,1 milímetros. Segundo os autores, dois terços da água vieram da Groenlândia, e o restante, da Antártica.
A pesquisa será publicada na próxima edição da revista “Science”, nesta sexta-feira (30). Os dados se enquadram na da previsão do relatório do o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), de 2007, mas esta era tão ampla que sequer permitia saber com certeza se a Antártica estava perdendo ou ganhando gelo.
Segundo os autores, o novo levantamento é duas vezes mais preciso do que a informação de que se dispunha antes. “Nossas estimativas de perda de geleiras são as mais confiáveis até agora. Elas encerram 20 anos de incerteza em relação às mudanças na massa das camadas de gelo da Antártica e da Groenlândia, e sua intenção é virarem os dados de referência para os cientistas do clima a partir de agora”, afirmou a jornalistas o professor da Universidade de Leeds, na Inglaterra, Andrew Shepherd.
O estudo ainda aponta que a taxa combinada de derretimento da camada de gelo aumentou com o tempo e, juntas, Groenlândia e Antártica agora perdem mais de três vezes a quantidade de gelo que perdiam na década de 1990.
O professor Erik Ivins, do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL, na sigla em inglês), um dos coordenadores do levantamento, aponta que “a taxa de perda de gelo na Groenlândia aumentou quase cinco vezes desde meados dos anos 1990. Em contraste, enquanto as mudanças regionais no gelo antártico ao longo do tempo são surpreendentes, o balanço geral permaneceu relativamente constante – ao menos dentro da certeza proporcionada pelas medidas de satélite que temos à mão”.
Imagem divulgada por um dos pesquisadores mostra corredeira no meio de calota polar na Groenlândia em 4 de julho deste ano (Foto: Ian Joughin/AP)
Padronização
De acordo como glaciologista brasileiro Jefferson Simões, coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Criosfera, que não participou do trabalho, mas acompanha as pesquisas na área, a metodologia desenvolvida pelos cientistas ajuda a reestruturar e padronizar as medidas referentes ao degelo global.

“Nós temos claramente sinais de degelo acelerado no sul da Groenlândia, norte da Península antártica e nas montanhas pelo mundo. O serviço de monitoramento das geleiras funciona há 160 anos e percebemos um processo de derretimento acelerado nos últimos 20 anos”, explica.

Segundo ele, a grande questão a partir de agora é descobrir se o limite máximo de elevação do nível do mar até 2100 é mesmo de um metro, conforme previsão feita pelo IPCC, ou se pode superar essa medida.

Desde a última segunda-feira (26), representantes de mais de 190 países estão reunidos no Qatar para a Conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Mudanças Climáticas (COP 18), para discutir como será possível reduzir as emissões de gases-estufa que elevam as temperaturas do planeta.
http://g1.globo.com/natureza/noticia/2012/11/levantamento-inedito-aponta-perda-de-gelo-na-antartica-e-na-groenlandia.html

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Estudo mostra que seca pode afetar fluxo de água dentro de árvores


Pesquisa divulgada nesta quarta-feira (21) pela revista científica “Nature” aponta que uma maior frequência na quantidade de secas no planeta, consequência de alterações climáticas, poderia causar um colapso no fluxo de água existente no interior das árvores e proporcionar uma maior mortalidade de espécies.
O transporte de água da raiz das árvores para partes mais altas ocorre por um conjunto de canais conhecido como xilema. Uma possível escassez de fluidos no solo prejudicaria o ciclo natural das árvores, que teriam de "forçar" a extração de água do solo.
Dinizia Excelsa, a deusa maior da Floresta Amazônia, com 40m de altura (Foto: Museu da Amazônia / Vanessa Gama)
De acordo com o estudo, essa sucção intensa dentro do xilema geraria bolhas de ar, que podem entupir canais que transportam água para partes mais altas da planta - um resultado que é conhecido como falha hidráulica e que pode levar à morte da árvore.
Cientistas da Universidade de Ulm, na Alemanha, estudaram esse fluxo natural em 226 árvores localizadas em 81 diferentes locais do mundo. Eles observaram a pressão do xilema dessas espécies durante um período de estresse hídrico (ausência de chuvas). Segundo o estudo, foi constatado que metade das árvores analisadas apresentaram problemas no transporte interno de água.
Maioria vulnerável
Havia a expectativa de que árvores presentes em locais áridos teriam mais chances de sobrevivência por estarem adaptadas ao clima. Ao mesmo tempo, aquelas dependentes do clima úmido ficariam mais vulneráveis com uma maior escassez de chuvas.
No entanto, 70% das árvores estudadas apresentaram dificuldades no funcionamento do xilema, independente de sua localização. Os cientistas afirmam que plantas com flores, também chamadas de angiospermas, correm mais risco de serem afetadas do que pinheiros e seus familiares, conhecidos com gimnospermas.
http://g1.globo.com/natureza/noticia/2012/11/estudo-mostra-que-seca-pode-afetar-fluxo-de-agua-dentro-de-arvores.html

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Novo Código Florestal terá campanha de divulgação pelo país, diz ministra


A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse nesta sexta-feira (9) no programa de rádio "Bom Dia, Ministro", que nos próximos dois anos o governo vai realizar campanhas de esclarecimento do novo Código Florestal, voltadas aos produtores rurais e que terá envolvimento de organizações de classe ligadas aos setores agropecuário e ambiental.
Ela confirmou que o governo federal vai adquirir imagens de satélites em alta resolução para monitorar cinco milhões de imóveis rurais do Brasil, como parte da implantação do Cadastro Ambiental Rural (CAR), que entrou em vigência com a nova lei. Assim, proprietários rurais podem fazer sua inscrição gratuitamente no CAR.

Segundo a ministra, as imagens em alta resolução possibilitarão que a União e governos estaduais “enxerguem” as propriedades rurais e façam cumprir o dispositivo, que tem o objetivo de conter desmatamentos ilegais em áreas de proteção permanente (APPs). O contrato de R$ 28,9 milhões será assinado ainda nesta sexta, durante cerimônia que acontecerá em Brasília.

“Será uma gestão de tranquilidade, onde todos serão informados sobre o que vai acontecer e como irá acontecer. As imagens feitas em todos os estados e municípios possibilitará a realização gratuita do CAR. A partir destes dados, vamos avaliar a situação e propor medidas de recuperação”, explicou a ministra durante o programa.

O CAR é o registro eletrônico obrigatório que vai concentrar informações sobre todos os imóveis rurais. A inscrição da propriedade no cadastro deverá ser feita em um órgão ambiental estadual ou municipal um ano após sua implantação.
Redistribuição de tributos do petróleo
Izabella também comentou sobre o projeto de lei que prevê a redistribuição de royalties provenientes da exploração do petróleo. Questionada sobre uma possível perda de recursos do Ministério do Meio Ambiente devido à proposta, a ministra disse que a presidente Dilma Rousseff ainda não recebeu o texto-base aprovado, mas que o ministério vai trabalhar para alocar recursos voltados para a questão ambiental.
Um dos projetos do MMA que receberiam verbas provenientes da exploração de petróleo no pré-sal é o Fundo Clima, cujos recursos poderão ser utilizados em projetos para reduzir o desmatamento e a degradação florestal, além de financiar projetos de desenvolvimento tecnológico.

Há ainda outros programas previstos pela pasta do Meio Ambiente que aguardam recursos dos tributos do petróleo, como a criação de planos de prevenção contra acidentes climáticos. “Não tenho como opinar, mas o Executivo cuidará para assegurar a verba ambiental”, disse Izabella.
Fiscalização na Amazônia
Sobre a Amazônia, Izabella adiantou que a taxa anual de desmatamento da Amazônia de 2012 deve apresentar uma nova queda, segundo dados do sistema Prodes. No entanto, a ministra não divulgou detalhes, afirmando que os números devem ser apresentados em breve.
Ela comentou que o governo tem reforçado a fiscalização no bioma, citando a estratégia anunciada há um mês em conjunto com o Ministério da Justiça, que conta com ações de combate a crimes ambientais por meio de força policial especial permanente, além de ações do Exército, da Polícia Rodoviária Federal e outros organismos do governo.
Além disso, ela disse que a fiscalização ambiental no país deverá ser reforçada com a contratação de mil pessoas para o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) e o Instituto Chico Mendes (ICMBio). “Estamos esperando o Congresso aprovar mil vagas (...). Isso é essencial para que possamos dar resposta às unidades de conservação nacional”, explica a ministra”.
http://g1.globo.com/natureza/noticia/2012/11/novo-codigo-florestal-tera-campanha-de-divulgacao-pelo-pais-diz-ministra.html

sábado, 3 de novembro de 2012

Reunião para criar áreas de proteção na Antártica termina sem acordo


Um acordo que estava sendo construído entre 250 delegados de 24 países mais a União Europeia, para a criação de grandes áreas de proteção ambiental nos mares da Antártica, terminou sem resultado nesta quinta-feira (1º), segundo informam as agências internacionais.
Os representantes dos países, que integram a Comissão para a Conservação dos Recursos Marinhos da Antártica (CCAMLR, na sigla em inglês), decidiram que o grupo volta a se reunir na Alemanha somente no próximo ano, em julho de 2013.
Eles participavam há duas semanas de uma conferência da CCAMLR na Tasmânia, Austrália, para decidir sobre a criação das áreas de proteção ambiental.
Pinguins imperadores na Antártica (Foto: Divulgação/U.S. Antarctic Program/National Science Foundation)Pinguins imperadores na Antártica (Foto: Divulgação/U.S. Antarctic Program/National Science Foundation)
Organizações ambientais, como o WWF, demonstraram preocupação com a falta de consenso sobre a criação das reservas.
Uma das propostas defendidas pelos Estados Unidos, pela Nova Zelândia e por outros países era criar duas áreas de proteção ambiental: uma de cerca de 1,6 milhão de km² e outra de 1,9 milhão de km², em dois pontos nos mares da Antártica.
Se fossem criadas, as reservas iriam garantir a proteção de animais como baleias e pinguins em uma região equivalente a três vezes o tamanho da França, informa a britânica BBC.
O fracasso em chegar a um acordo foi creditado principalmente à atuação dos delegados da Rússia, da China e da Ucrânia, de acordo com os ambientalistas. "Estamos desapontados", disse à imprensa internacional o representante da ONG Aliança para o Oceano Antártico, Steve Campbell.

sábado, 27 de outubro de 2012

Cultivo de soja em áreas recém-desmatadas da Amazônia cresce 57%


O Ministério do Meio Ambiente e representantes de setores da sociedade civil anunciaram nesta quinta-feira (26) os resultados do último ano (período 2011/12) da chamada moratória da soja, um acordo de empresas de agronegócios para evitar o desmatamento da Amazônia para a produção dessa commodity.
O monitoramento das áreas desmatadas nos estados de MT, PA e RO apontou um aumento de 57% das plantações de soja em áreas desmatadas depois de outubro de 2006. Na safra passada (2010/2011), haviam sido detectados 11.698 hectares (116,6 km²) plantados, contra 18.410 hectares (184,1 km²) deste ano. O aumento entre o dado deste ano e o do anterior, no entanto, foi menor que entre 2009/2010 e 2010/2011, quando chegou a 85%.
Durante o anúncio desta quinta, a moratória foi renovada por mais um ano. Pelo acordo, as empresas de agronegócio se comprometem a não comprar a soja que tenha origem em áreas que tiveram a floresta reitrada após 2006.
Carlo Lovatelli, Presidente da Associação Brasileira das Indústrias do óleos vegetais (Abiove) afirma que, apesar do aumento, a soja não está entre os principais causadores do desmatamento na Amazônia, mas é um fator que merece sempre atenção. "Ela não é o principal motivo do desmatamento, mesmo assim, nos incomodamos com o aumento," afirmou.
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, afirmou que a moratória demonstrou que é possível aumentar a produção de soja, sem degradar a floresta. "Em cinco anos, tivemos a menor taxa de desmatamento da Amazônia e a maior produção de soja. O que precisamos agora é eliminar dessa base aqueles que não querem cumprir a lei", disse.
A ministra também frisou a importância da criação do Cadastro Ambiental Rural, que permirá conhecer quantos e quais são as propriedades rurais no Brasil. "Com ele poderemos ter o controle de todas as propriedades, levando ao aperfeiçoamento da gestão da informação de produção de alimentos no Brasi," afirmou.
http://g1.globo.com/natureza/noticia/2012/10/cultivo-de-soja-em-areas-recem-desmatadas-da-amazonia-cresce-57.html

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Incêndio na Serra do Cipó é o maior da história do parque, diz analista

O incêndio na Serra do Cipó, na Região Central de Minas Gerais, pode ser considerado o pior da história do parque, segundo Paulo Sérgio Avelar, ambientalista do Instituto Chico Mendes, que administra a operação de comabte ao fogo. Nesta quinta-feira (11), cerca de 70 brigadistas, bombeiros e voluntários intensificaram o combate às chamas.
O fogo começou nesta sexta-feira (5). De acordo com Avelar, nos primeiros dias do incêndio, a estimativa era de que cinco mil hectares haviam sido queimados, mas este número com certeza é muito maior. O fogo está perto Cachoeira das Andorinhas e do Córrego dos Gaviões.
 

A suspeita é que ele tenha sido provocado de forma criminosa. Por causa do fogo, o parque está fechado para visitação. Três aeronaves e um helicóptero estão ajudando no combate as chamas.
No dia 4 de outubro, foi registrado outro incêndio em uma área próxima ao Rio Cipó, região vizinha do local atingido. As chamas foram extintas no mesmo dia.

http://g1.globo.com/minas-gerais/noticia/2012/10/incendio-na-serra-do-cipo-e-o-maior-da-historia-do-parque-diz-analista.html

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Indústria da Europa quer acesso mais confiável à biodiversidade mundial


A Comissão Europeia apresentou nesta quinta-feira (4) uma proposta para assegurar o acesso mais confiável de pesquisadores e empresas da União Europeia a recursos genéticos que estão em outros países.
A discussão tem a ver com a implantação do Protocolo de Nagoya, que estabelece regras para o acesso à biodiversidade, como plantas tropicais raras usadas em medicamentos, e formas de compartilhar benefícios entre empresas, povos indígenas e governos.
Criado em 2010, o acordo global volta a ser discutido na Conferência das Partes (COP-11) da Biodiversidade, encontro anual da Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica (CBD) que se inicia no próximo dia 8, na Índia.
Dos 92 países que assinaram o documento criando o pacto global, apenas cinco o ratificaram (o Brasil ainda não o fez), número bem abaixo dos 50 necessários para que ganhe força legal. A meta é que o protocolo esteja em pleno funcionamento até 2015.
Em comunicado, a Comissão Europeia informou que “a proposta pretende proteger os direitos dos países e das comunidades indígenas, assim como oferecer aos pesquisadores na Europa um acesso confiável a amostras de qualidade de recursos genéticos, com um custo baixo e um alto grau de segurança jurídica”.
O bloco decidiu dar este passo ante à “falta de normas claras” para este comércio, que sofre com o fenômeno da biopirataria. Este vácuo legal propicia, segundo alguns países administradores de recursos genéticos - como o Brasil -- uma ação abusiva por parte de cientistas estrangeiros.
Oficiais das Nações Unidas durante preparativos para a COP-11 da Biodiversidade, que acontece a partir do dia 8 em Hyderabad, na Índia (Foto: Mahesh Kumar A/AP)Oficiais das Nações Unidas durante preparativos para a COP-11 da Biodiversidade, que acontece a partir do dia 8 em Hyderabad, na Índia (Foto: Mahesh Kumar A/AP)
Desafios pela frente
À frente do órgão máximo da ONU para a biodiversidade, o brasileiro Braulio Dias, secretário-executivo da CBD,  afirmou ao G1 que o encontro na Índia tratará de temas delicados como a disponibilização de recursos de nações ricas para que países pobres mantenham suas florestas em pé e recursos naturais intactos, além de planejar formas de aumentar a conservação de ambientes marinhos e terrestres, conciliando com o desenvolvimento econômico.

Tudo isso em pleno período de recessão econômica, que atinge principalmente a União Europeia e os Estados Unidos. Ele explica que para atacar o que afeta a biodiversidade no mundo é preciso de muito dinheiro.

Ainda não existe um número fechado, mas Dias estima que para um único tópico dos 20 objetivos, que refere-se à ampliação de áreas protegidas no mundo, será necessário investir nos próximos oito anos até US$ 600 bilhões.

A dificuldade que a conferência deve enfrentar será a mesma já ocorrida em negociações como a climática: países ricos dizendo que não têm dinheiro e nações pobres cobrando investimentos e se isentando de possíveis aportes para “salvar o mundo”.