sábado, 27 de outubro de 2012

Cultivo de soja em áreas recém-desmatadas da Amazônia cresce 57%


O Ministério do Meio Ambiente e representantes de setores da sociedade civil anunciaram nesta quinta-feira (26) os resultados do último ano (período 2011/12) da chamada moratória da soja, um acordo de empresas de agronegócios para evitar o desmatamento da Amazônia para a produção dessa commodity.
O monitoramento das áreas desmatadas nos estados de MT, PA e RO apontou um aumento de 57% das plantações de soja em áreas desmatadas depois de outubro de 2006. Na safra passada (2010/2011), haviam sido detectados 11.698 hectares (116,6 km²) plantados, contra 18.410 hectares (184,1 km²) deste ano. O aumento entre o dado deste ano e o do anterior, no entanto, foi menor que entre 2009/2010 e 2010/2011, quando chegou a 85%.
Durante o anúncio desta quinta, a moratória foi renovada por mais um ano. Pelo acordo, as empresas de agronegócio se comprometem a não comprar a soja que tenha origem em áreas que tiveram a floresta reitrada após 2006.
Carlo Lovatelli, Presidente da Associação Brasileira das Indústrias do óleos vegetais (Abiove) afirma que, apesar do aumento, a soja não está entre os principais causadores do desmatamento na Amazônia, mas é um fator que merece sempre atenção. "Ela não é o principal motivo do desmatamento, mesmo assim, nos incomodamos com o aumento," afirmou.
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, afirmou que a moratória demonstrou que é possível aumentar a produção de soja, sem degradar a floresta. "Em cinco anos, tivemos a menor taxa de desmatamento da Amazônia e a maior produção de soja. O que precisamos agora é eliminar dessa base aqueles que não querem cumprir a lei", disse.
A ministra também frisou a importância da criação do Cadastro Ambiental Rural, que permirá conhecer quantos e quais são as propriedades rurais no Brasil. "Com ele poderemos ter o controle de todas as propriedades, levando ao aperfeiçoamento da gestão da informação de produção de alimentos no Brasi," afirmou.
http://g1.globo.com/natureza/noticia/2012/10/cultivo-de-soja-em-areas-recem-desmatadas-da-amazonia-cresce-57.html

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Incêndio na Serra do Cipó é o maior da história do parque, diz analista

O incêndio na Serra do Cipó, na Região Central de Minas Gerais, pode ser considerado o pior da história do parque, segundo Paulo Sérgio Avelar, ambientalista do Instituto Chico Mendes, que administra a operação de comabte ao fogo. Nesta quinta-feira (11), cerca de 70 brigadistas, bombeiros e voluntários intensificaram o combate às chamas.
O fogo começou nesta sexta-feira (5). De acordo com Avelar, nos primeiros dias do incêndio, a estimativa era de que cinco mil hectares haviam sido queimados, mas este número com certeza é muito maior. O fogo está perto Cachoeira das Andorinhas e do Córrego dos Gaviões.
 

A suspeita é que ele tenha sido provocado de forma criminosa. Por causa do fogo, o parque está fechado para visitação. Três aeronaves e um helicóptero estão ajudando no combate as chamas.
No dia 4 de outubro, foi registrado outro incêndio em uma área próxima ao Rio Cipó, região vizinha do local atingido. As chamas foram extintas no mesmo dia.

http://g1.globo.com/minas-gerais/noticia/2012/10/incendio-na-serra-do-cipo-e-o-maior-da-historia-do-parque-diz-analista.html

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Indústria da Europa quer acesso mais confiável à biodiversidade mundial


A Comissão Europeia apresentou nesta quinta-feira (4) uma proposta para assegurar o acesso mais confiável de pesquisadores e empresas da União Europeia a recursos genéticos que estão em outros países.
A discussão tem a ver com a implantação do Protocolo de Nagoya, que estabelece regras para o acesso à biodiversidade, como plantas tropicais raras usadas em medicamentos, e formas de compartilhar benefícios entre empresas, povos indígenas e governos.
Criado em 2010, o acordo global volta a ser discutido na Conferência das Partes (COP-11) da Biodiversidade, encontro anual da Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica (CBD) que se inicia no próximo dia 8, na Índia.
Dos 92 países que assinaram o documento criando o pacto global, apenas cinco o ratificaram (o Brasil ainda não o fez), número bem abaixo dos 50 necessários para que ganhe força legal. A meta é que o protocolo esteja em pleno funcionamento até 2015.
Em comunicado, a Comissão Europeia informou que “a proposta pretende proteger os direitos dos países e das comunidades indígenas, assim como oferecer aos pesquisadores na Europa um acesso confiável a amostras de qualidade de recursos genéticos, com um custo baixo e um alto grau de segurança jurídica”.
O bloco decidiu dar este passo ante à “falta de normas claras” para este comércio, que sofre com o fenômeno da biopirataria. Este vácuo legal propicia, segundo alguns países administradores de recursos genéticos - como o Brasil -- uma ação abusiva por parte de cientistas estrangeiros.
Oficiais das Nações Unidas durante preparativos para a COP-11 da Biodiversidade, que acontece a partir do dia 8 em Hyderabad, na Índia (Foto: Mahesh Kumar A/AP)Oficiais das Nações Unidas durante preparativos para a COP-11 da Biodiversidade, que acontece a partir do dia 8 em Hyderabad, na Índia (Foto: Mahesh Kumar A/AP)
Desafios pela frente
À frente do órgão máximo da ONU para a biodiversidade, o brasileiro Braulio Dias, secretário-executivo da CBD,  afirmou ao G1 que o encontro na Índia tratará de temas delicados como a disponibilização de recursos de nações ricas para que países pobres mantenham suas florestas em pé e recursos naturais intactos, além de planejar formas de aumentar a conservação de ambientes marinhos e terrestres, conciliando com o desenvolvimento econômico.

Tudo isso em pleno período de recessão econômica, que atinge principalmente a União Europeia e os Estados Unidos. Ele explica que para atacar o que afeta a biodiversidade no mundo é preciso de muito dinheiro.

Ainda não existe um número fechado, mas Dias estima que para um único tópico dos 20 objetivos, que refere-se à ampliação de áreas protegidas no mundo, será necessário investir nos próximos oito anos até US$ 600 bilhões.

A dificuldade que a conferência deve enfrentar será a mesma já ocorrida em negociações como a climática: países ricos dizendo que não têm dinheiro e nações pobres cobrando investimentos e se isentando de possíveis aportes para “salvar o mundo”.