segunda-feira, 30 de abril de 2012

Fazendas eólicas 'aquecem' temperatura local, diz estudo

    Fazendas eólicas podem afetar as condições meteorológicas das regiões em que se situam, provocando a elevação de temperaturas durante a noite.
    Essa foi a conclusão de um estudo realizado no Estado americano do Texas. Os pesquisadores usaram informações de satélites e observaram que áreas situadas perto de turbinas eólicas tendem a esquentar mais do que as que não contam com fazendas eólicas nas imediações.
A pesquisa, publicada na revista especializada Nature Climate Change, confirmou as conclusões de um estudo anterior, datado de 2010, também realizado em uma região específica dos Estados Unidos e que utilizou modelos criados por computador para mostrar que fazendas eólicas podem provocar aquecimento regional.
    Os cientistas acreditam que o aquecimento é provocado pelas turbinas das usinas, que liberam ar quente ao nível do solo.
A área em que foi feita o estudo, localizada no centro-oeste do Texas, registrou um crescimento no número de programas de construção de turbinas, em meados da década passada, passando de 111 em 2003 para 2325 apenas seis anos depois.
Sensores de incêndios
    Pesquisadores utilizaram informações geradas pelos sensores Moderate Resolution Imaging Spectroradiometer (Modis), contidos nos satélites Aqua e Terra, da Nasa, que são capazes de medir radiações infravermelhas emitidas por incêndios na superfície do planeta.
As informações geradas pelos Modis podem ser transformadas rapidamente em ''mapas ativos de incêndios'', que permitem localizar focos de incêndios florestais e avaliar para onde eles estão se movendo. Essas informações costumam ser usadas por corpos de bombeiros.
As informações dos sensores Modis foram usadas para medir as temperaturas na região estudada no começo e ao final do boom de construção de usinas - respectivamente os períodos que vão de 2003 a 2005 e de 2009 a 2011.
Ao longo desse período, a região centro-oeste do Texas como um todo observou um aumento de temperatura - e de forma mais acentuada nas áreas próximas a fazendas eólicas.
Mas os pesquisadores avaliaram que outros fatores podem ter influído nos resultados, como mudanças de vegetação, mas afirmaram que tais fatores ocorreram em escala muito pequena.
As mudanças não ocorreram de forma idêntica em todas as áreas próximas a fazendas eólicas. De acordo com os cientistas, o aquecimento observado foi de cerca de 0.72ºC por década.
O pesquisador-sênior Liming Zhou advertiu que a experiência não representa um sinal de que as temperaturas seguem aumentando. ''A tendência de aquecimento se aplica apenas à região e ao período estudados e não deve ser estendida de forma linear para outras regiões por períodos mais longos''.
'Resultados consistentes'
O especialista diz que à noite o ar acima do nível do solo costuma ser mais quente do que o ar no nível do solo. Mas Zhou e seus colegas acreditam que as lâminas das turbinas eólicas estão simplesmente agitando o ar, misturando ar quente e ar frio e fazendo com que parte do calor chegue ao nível do solo.
''Os resultados dessa pesquisa me parecem bem consistentes'', diz Steven Sherwood, do Centro de Pesquisas de Mudanças Climáticas, da University of New South Wales, da Austrália.
De acordo com Sherwood, a estratégia de provocar um aquecimento artificial costuma ser usada por produtores de frutas que sobrevoam seus pomares de helicóptero para combater geadas matinais'.
'Essa pequisa é o primeiro passo na potencial exploração de informações satelitais para quantificar os possíveis impactos de grandes fazendas eólicas sobre o clima e as condições meteorológicas'', afirmou Zhou, da Universidade Estadual de Nova York em Albany, à BBC.
Ele conta que ele e sua equipe de pesquisadores estão agora ampliando seu estudo para outras fazendas eólicas e construindo novos modelos para melhor entender os processos físicos do aquecimento que estaria sendo provocado pelas usinas eólicas.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Evaporação e formação de chuvas estão mais rápidas, dizem cientistas

    Estudo realizado por pesquisadores da Austrália e dos Estados Unidos afirma que os eventos extremos da natureza como a seca e as chuvas, decorrentes da mudança climática global, ficarão mais intensos nas regiões onde esses fenômenos já ocorrem com frequência.
Segundo artigo publicado na revista científica “Science” nesta quinta-feira (26), foram analisados 50 anos de medições de níveis de salinidade do mar e na atmosfera da Terra e verificou-se que o processo de evaporação e precipitação (chuva) tem ocorrido de forma mais rápida.
Os cientistas sugerem que este ciclo global da água poderá se intensificar em até 24% se as temperaturas globais aumentarem entre 2º C e 3ºC – conforme previsão feita pelo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês).
    O efeito é classificado como “ricos cada vez mais ricos”, ou seja, onde já há secas intensas, a probabilidade de agravamento é alta e onde as regiões já são umidas, as chuvas devem se acentuar.
Os estudiosos afirmam que essa mudança na disponibilidade de água doce (proveniente das chuvas), em resposta à mudança climática, representa um importante risco para a sociedade humana e ecossistemas. Uma redistribuição de chuvas afetaria, por exemplo, a disponibilidade de alimentos no mundo.

http://g1.globo.com/natureza/noticia/2012/04/evaporacao-e-formacao-de-chuvas-estao-mais-rapidas-dizem-cientistas.html

segunda-feira, 16 de abril de 2012

'Mundo está de olho no Código Florestal', diz diretor da ONU

O diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Achim Steiner, disse nesta segunda-feira (16) que "o mundo inteiro" observa a movimentação da política brasileira em torno do novo Código Florestal.
Steiner disse que apesar da questão ser de “política interna”, a decisão tomada poderá enviar um sinal positivo ou negativo sobre o país à comunidade internacional. Ele participou de evento sobre governança ambiental e a Rio+20, promovido no Rio de Janeiro pelo ministério do Meio Ambiente.
A Rio+20 é a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que acontece em junho no Rio, e que já tem cem chefes de Estado confirmados para discursar na plenária principal, de acordo com o Itamaraty.
“O mundo inteiro está olhando para o Brasil hoje, querendo saber o que vai acontecer no Código Florestal (...) É uma questão de política interna, que cabe aos brasileiros decidir, mas o país também pode mandar um enorme sinal sobre sua liderança no progresso sustentável ao longo dos últimos 20 anos, que pode ser consolidado ou sofrer um revés”, explica.
Amazônia em foco
Para o diretor do Pnuma, programa que pleiteia na Rio+20 a chance de se tornar uma agência especializada -- que terá poder de reger políticas globais ambientais -- existe uma preocupação externa sobre o impacto das mudanças da lei na Amazônia.
“O Código Florestal pode reduzir o valor do ecossistema amazônico (...) Mas não sou eu quem vai julgar isto. Acho que o mundo não deveria intervir em um processo democrático interno, mas ele [os países] têm direito de definir quais são suas políticas preferidas para o Brasil”, explica.
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que também participou do encontro no país não fez comentários sobre a votação do Código Florestal, que segue em negociação no Senado. Ela afirmou que falaria apenas quando o relatório em análise no Congresso estivesse pronto.
No entanto, Izabella afirmou que o Brasil precisa reestruturar a governança ambiental nacional (políticas voltadas para o meio ambiente), que, para ela, já está “vencida”. “O sistema está vencido em face aos desafios recentes. O debate sobre o Pnuma nos instiga e nos coloca um dever de casa”, disse a ministra.
http://g1.globo.com/natureza/noticia/2012/04/mundo-esta-de-olho-na-votacao-do-codigo-florestal-diz-diretor-da-onu.html

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Brasil quer acelerar emissão de 'patente verde' para expandir mercado

    Processos de patente de tecnologias consideradas “limpas” serão agilizados a partir da próxima semana pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi), com o objetivo de aumentar a oferta de produtos verdes no mercado relacionados à geração de energia, transporte e resíduos sólidos, afirma Patrícia Carvalho dos Reis, gerente do projeto “Patentes verdes”, do Inpi.
    A partir de 17 de abril, um projeto piloto vai reduzir de cinco anos e quatro meses para dois anos o tempo para reconhecimento de uma invenção no Brasil, seja para projetos de empresas residentes ou não residentes no país.
Em uma primeira etapa, 500 projetos poderão se beneficiar, sejam eles novos ou que tenham sido depositados no Inpi a partir de janeiro 2011. A quantidade foi definida a partir de levantamento feito na instituição com dados de 2007 a 2009. Neste período, houve uma média anual de 500 solicitações para criações consideradas limpas, sendo 80% provenientes de empresas brasileiras.
    Segundo a gerente do projeto, a principal redução na espera vai ocorrer devido à exclusão do período chamado “sigilo”. Atualmente, por força de lei, o "sigilo" exige que qualquer invenção deve ficar depositada por 18 meses, até que se inicie a análise.
“As patentes verdes vão enfrentar uma fila mais rápida. Isso vale para novas invenções depositadas no Inpi a partir de janeiro de 2011”, explica.”

http://g1.globo.com/natureza/noticia/2012/04/brasil-quer-acelerar-emissao-de-patente-verde-para-expandir-mercado.html 

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Produtos naturais ganham mercado e substituem fertilizantes e agrotóxicos

Quarto maior consumidor de fertilizantes e um dos líderes mundiais no uso de agrotóxicos, o Brasil começa a expandir duas novas tecnologias naturais para aumentar a fertilidade dos solos e combater pragas. Resultado de pesquisas nacionais, os fertilizantes orgânicos da Embrapa e o controle de pragas com uso de vespas e ácaros, da empresa brasileira BUG, são opções sustentáveis que garantem a produtividade e saúde da lavoura.
A primeira novidade será lançada pela Embrapa no início de abril e deve estar disponível no mercado em breve. A partir de resíduos agroindustriais poluentes, como fezes de porco, a empresa desenvolveu dois tipos de fertilizantes orgânicos, tão eficientes quanto os tradicionais segundo a Embrapa. Por reaproveitar os resíduos, a tecnologia é considerada um tipo de reciclagem.
Um dos fertilizantes já tem nome. É o “agroporco”. O outro, ainda sem nome oficial, é produzido a partir de um resíduo da produção de frango de corte, chamado cama de aviário. A eles são misturados minerais, que ajudam na penetração dos nutrientes no solo.

http://g1.globo.com/natureza/noticia/2012/03/produtos-naturais-ganham-mercado-e-substituem-fertilizantes-e-agrotoxicos.html