terça-feira, 26 de junho de 2012
Governo muda limites de unidades de preservação para viabilizar usinas
O Diário Oficial da União desta terça-feira (26) publicou uma alteração nos limites de oito unidades de preservação ambientais localizadas na região da Amazônia. Um dos objetivos da mudança é viabilizar a construção de usinas hidrelétricas no Complexo do Tapajós, no Pará, e também da usina de Santo Antônio, em Rondônia.Com a redefinição dos limites, áreas que antes eram protegidas por lei poderão ser alagadas pelas represas dessas usinas. Em contrapartida, as unidades de preservação serão ampliadas em outros pontos.Na soma das oito unidades remarcadas, 164.480 hectares perderam o status de área protegida, mas 185.419 hectares foram incorporados. Ou seja, as áreas protegidas tiveram um aumento líquido de 20.939 hectares.
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Crise e incertezas não podem fragilizar apoio à Rio+20, diz Dilma
A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quarta-feira (20) que a crise
financeira mundial tende a fragilizar a disposição dos países a um
acordo vinculante, mas que "não podemos deixar isso acontecer". O
discurso foi feito na abertura cerimonial da Conferência das Nações
Unidas para o Desenvolvimento, a Rio+20.
http://g1.globo.com/natureza/rio20/noticia/2012/06/dilma-e-secretario-geral-da-onu-fazem-discursos-oficiais-na-rio20.html
Chefes de Estado estão reunidos no Rio de Janeiro para assinar um acordo de promoção do desenvolvimento sustentável.
“Em um momento como este, de incertezas em relação ao futuro da
economia internacional, é forte a tentação de tornar absolutos os
interesses nacionais. A disposição política para acordos vinculantes
fica muito fragilizada. Não podemos deixar isso acontecer”, disse Dilma.
"Tenho convicção – e esta conferência é disto uma prova – de que é
grande nossa vontade de acordar. (...) A recuperação para ser estável
tem de ser global.”
Segundo a presidente, "a crise financeira e as incertezas que pairam
sobre o futuro da economia mundial dão uma significação especial à
Rio+20".
No discurso, a presidente afirma que importantes economias estão "em
crescimento muito lento, quando não estão em recessão, e sofrem abalos
em suas contas públicas e em seus sistemas financeiros".
"É certo que os países em desenvolvimento passaram a responder por parcela cada vez mais significativa do crescimento mundial."
Dilma disse que o "Brasil tem procurado fazer a sua parte" e criticou
políticas de ajuste que "atingem a parte mais frágil da sociedade: os
trabalhadores, as mulheres, as crianças, o imigrante, o aposentado, o
desempregado, sobretudo, quando se tratam de jovens".
"São modelos de desenvolvimento que esgotaram sua capacidade de responder aos desafios contemporâneos."
Segundo a presidente, a concretização do desenvolvimento sustentável
pode ser traduzida em três palavras: "crescer, incluir e proteger".
Dilma afirmou ainda que "várias conquistas de 1992 (Eco 92) que ainda
permanecem no papel". “Nossa conferência deve gerar compromissos firmes
no ramo do desenvolvimento sustentável. Temos que ser ambiciosos",
discursou.
"A tarefa que nos impõe a Rio+20 é desencadear o movimento de renovação
de ideias e de processos, absolutamente necessários para enfrentarmos
os dias difíceis em que hoje vive ampla parte da humanidade", afirmou a
presidente.
"Sabemos que o custo da inação será maior que o das medidas
necessárias, por mais que essas provoquem resistências e se revelem
politicamente trabalhosas", complementou.
'Consenso'
Dilma também elogiou o documento apresentado pelas delegações aos chefes de Estado, para aprovação que, segundo ela, "consagra avanços importantes". Na terça, delegações receberam e aprovaram um texto com 49 páginas (Veja ao final algumas das principais medidas discutidas e aprovadas).
Dilma também elogiou o documento apresentado pelas delegações aos chefes de Estado, para aprovação que, segundo ela, "consagra avanços importantes". Na terça, delegações receberam e aprovaram um texto com 49 páginas (Veja ao final algumas das principais medidas discutidas e aprovadas).
"O texto aprovado pelas consultas pré-Conferência representa o consenso
entre os diversos países aqui presentes. É o resultado de grande
esforço de conciliação e aproximação de posições para avançarmos
concretamente na direção do futuro que queremos."
Entre os avanços do documento, afirmou Dilma, está a introdução da
erradicação da pobreza como "maior desafio global que o mundo enfrenta".
"Pela primeira vez, num documento deste tipo, falamos da igualdade
racial e não-discriminação", destacou. "Mas caberá a nós, dirigentes
mundiais, chefes de Estado e de governo, ministros, funcionários, enfim,
aos representantes das nações aqui presentes demonstrarmos capacidade
de liderar e de agir."
http://g1.globo.com/natureza/rio20/noticia/2012/06/dilma-e-secretario-geral-da-onu-fazem-discursos-oficiais-na-rio20.html
sábado, 16 de junho de 2012
Delegados apontam impasses nas negociações da Rio+20
Em reunião fechada, delegados apresentaram a seus pares, na madrugada
deste sábado (16), os resultados dos três primeiros dias de negociação
do Comitê Preparatório da Rio+20, Conferência das Nações Unidas sobre o
Desenvolvimento Sustentável. A plenária foi fechada à imprensa, mas o G1 detalha
com exclusividade parte dos resultados mencionados pelos líderes dos
grupos de trabalho que conduziam as negociações, a que teve acesso por
meio de uma transmissão do encontro que foi interrompida após cerca de
30 minutos.
Na reunião, com a presença dos ministros de Relações Exteriores,
Antonio Patriota, e do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, os chefes dos
grupos de trabalho criados para fechar trechos do texto final da Rio+20
expuseram o que foi debatido até então. A maioria dos delegados afirmou
que as negociações avançaram, mas destacaram que ainda falta consenso em
pontos controversos.
O chefe do grupo que debateu os Objetivos de Desenvolvimento
Sustentável afirmou que houve “avanço” no texto, mas que ainda há
divergência sobre temas como a implementação das metas a serem firmadas.
Um dos principais impasses nas negociações da Rio+20 é o financiamento
das ações de fomento ao desenvolvimento sustentável.
Na reunião fechada, o secretário-geral da Rio+20, o chinês Sha Zukang
fez um discurso em tom nada otimista. “Ainda há muito trabalho a ser
feito”, admitiu Zukang. “Por quase dois anos nós estivemos
preparando-nos para esta conferência, e nas horas finais, ainda não
estamos onde deveríamos estar”, prossegue o texto do discurso. “Nosso
trabalho duro não pode ser em vão. Não podemos aceitar isso”.
Por causa das divergências, os grupos de trabalho continuarão a debater
o texto até a próxima terça-feira (19). Os embaixadores André Corrêa do
Lago e Luiz Alberto Figueiredo, negociadores-chefes do Brasil na
Rio+20, não quiseram dar entrevistas após a reunião. O ministro Antonio
Patriota também se recusou a responder a perguntas dos jornalistas.
Saiba a seguir detalhes do que foi dito na reunião de delegados, que começou por volta das 11h e terminou depois da meia-noite:
Economia Verde
O tema foi apresentado pela delegação do Canadá. Segundo os negociadores, o trabalho do grupo teve progresso considerável nesta sexta-feira (15). “Temos acordo em sete parágrafos, e cinco subparágrafos [do rascunho]. A discussão foi muito construtiva, com espírito de colaboração e flexibilidade, o que contribuiu para o progresso”, disse a delegação do país.
“Dos parágrafos em que temos acordo, há uma moldura importante para a economia verde e alguns parágrafos que tratam de temas que foram difíceis para muitas delegações. Considerando isso, o progresso é muito positivo. A perspectiva de acordo é muito boa.”
O tema foi apresentado pela delegação do Canadá. Segundo os negociadores, o trabalho do grupo teve progresso considerável nesta sexta-feira (15). “Temos acordo em sete parágrafos, e cinco subparágrafos [do rascunho]. A discussão foi muito construtiva, com espírito de colaboração e flexibilidade, o que contribuiu para o progresso”, disse a delegação do país.
“Dos parágrafos em que temos acordo, há uma moldura importante para a economia verde e alguns parágrafos que tratam de temas que foram difíceis para muitas delegações. Considerando isso, o progresso é muito positivo. A perspectiva de acordo é muito boa.”
Produtos Químicos
A delegação do México declarou que já há acordo sobre a maior parte do texto nesta área "Apenas alguns poucos assuntos continuam em aberto. Temos confiança de que, com o progresso alcançado, podemos levar adiante um texto que vai permitir o processo de encontrar um bom resultado nesse tema.”
A delegação do México declarou que já há acordo sobre a maior parte do texto nesta área "Apenas alguns poucos assuntos continuam em aberto. Temos confiança de que, com o progresso alcançado, podemos levar adiante um texto que vai permitir o processo de encontrar um bom resultado nesse tema.”
Desertificação
Segundo o delegado da Austrália, que apresentou o balanço das negociações sobre o tema, “o grupo fez um ótimo progresso e a ampla maioria do texto em geral já foi acordado. Em termos de parágrafos acordados em rascunho, dois dos cinco parágrafos, o 1 e o 5, foram acordados e muito dos outros parágrafos também.”
Segundo ele, um tema que continua em aberto é a “proposta para um compromisso para um mundo livre de degradação da terra, que continua em discussão”. No mais, há alguma discussão sobre linguagem.
Segundo o delegado da Austrália, que apresentou o balanço das negociações sobre o tema, “o grupo fez um ótimo progresso e a ampla maioria do texto em geral já foi acordado. Em termos de parágrafos acordados em rascunho, dois dos cinco parágrafos, o 1 e o 5, foram acordados e muito dos outros parágrafos também.”
Segundo ele, um tema que continua em aberto é a “proposta para um compromisso para um mundo livre de degradação da terra, que continua em discussão”. No mais, há alguma discussão sobre linguagem.
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e Meios de Implementação
Segundo o delegado de Barbados, que apresentou o balanço das negociações dos dois temas, houve muito progresso ao longo do dia. “Tivemos discussões extremamente úteis no grupo de ODS. Nossa proposta recebeu muito interesse das delegações, mas não tivemos tempo para finalizar as consultas. Até que possamos fazer progresso no processo é pouco provável que consigamos desbloquear muitos dos assuntos que estão sendo discutidos”, disse.
Em relação aos meios de implementação, ele disse que também houve um bom progresso. “As discussões foram vívidas e os delegados demostraram muita flexibilidade. Houve o entendimento sobre como os assuntos precisam ser lidados no corpo da seção.”
Segundo o delegado de Barbados, que apresentou o balanço das negociações dos dois temas, houve muito progresso ao longo do dia. “Tivemos discussões extremamente úteis no grupo de ODS. Nossa proposta recebeu muito interesse das delegações, mas não tivemos tempo para finalizar as consultas. Até que possamos fazer progresso no processo é pouco provável que consigamos desbloquear muitos dos assuntos que estão sendo discutidos”, disse.
Em relação aos meios de implementação, ele disse que também houve um bom progresso. “As discussões foram vívidas e os delegados demostraram muita flexibilidade. Houve o entendimento sobre como os assuntos precisam ser lidados no corpo da seção.”
Ele disse que houve acordo na maior parte da seção sobre capacitação,
“exceto por detalhes menores." "O G77 e os Estados Unidos não deram
retorno para finalizar este paragrafo,” criticou.
Houve ainda a proposta de “deletar toda a seção de comércio, com
exceção do primeiro parágrafo, que já foi acordado. Algumas delegações
ainda não deram retorno para esta opção.”
Água e Mudança Climática
As delegações chegaram a acordo em dois parágrafos relativos a água, segundo a delegada da Guatemala, que apresentou os avanços no tema. “Não houve acordo em detalhes mais específicos e faltou acordo em relação a águas internacionais.” Ela alegou que ainda é preciso atingir o equilíbrio em relação a mudanças climáticas.
As delegações chegaram a acordo em dois parágrafos relativos a água, segundo a delegada da Guatemala, que apresentou os avanços no tema. “Não houve acordo em detalhes mais específicos e faltou acordo em relação a águas internacionais.” Ela alegou que ainda é preciso atingir o equilíbrio em relação a mudanças climáticas.
Redução de Desastres
A delegação do Japão alegou que houve progresso nas negociações e que “foi formada uma mensagem simples, mas forte".
A delegação do Japão alegou que houve progresso nas negociações e que “foi formada uma mensagem simples, mas forte".
http://g1.globo.com/natureza/rio20/noticia/2012/06/delegados-apontam-impasses-nas-negociacoes-da-rio20.html
quinta-feira, 7 de junho de 2012
ONU afirma que crise ambiental no planeta é grave, mas tem solução
Relatório divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) nesta quarta-feira (6) no Rio de Janeiro
aponta que nas duas últimas décadas houve agravamento do desmatamento
das florestas, da pesca excessiva, da poluição do ar e da água, além das
emissões de gases causadores do efeito estufa.
A divulgação acontece uma semana antes do início da Rio+20, Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que inicia dia 13 e segue até o dia 22 de junho.
O documento denominado "Panorama Ambiental Global (Geo-5)" aponta que
das 90 metas e objetivos ambientais que se tornaram referência a partir
da Rio 92, apenas quatro foram cumpridas. A conferência ambiental
realizada no Rio de Janeiro criou tratados para o clima, biodiversidade e
desertificação, além da Agenda 21.A divulgação acontece uma semana antes do início da Rio+20, Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que inicia dia 13 e segue até o dia 22 de junho.
Mas o relatório afirmou também que há esperança e que ainda é possível obter crescimento econômico favorável ao meio ambiente, apesar dos desafios da população humana crescente, expansão da urbanização e o apetite insaciável por alimentos e recursos.
A seguir estão algumas das principais conclusões do Geo-5, quinto levantamento da saúde ambiental global e que contou com a colaboração de 600 especialistas. O primeiro panorama foi elaborado em 1997.
O relatório GEO-5 disse que foi feito progresso significativo para eliminar a produção e utilização de produtos químicos que destroem a camada de ozônio, remoção do chumbo dos combustíveis, aumento do acesso a fontes melhoradas de água e mais pesquisas para reduzir a poluição do ambiente marinho.
A redução dos riscos de saúde alcançada pela eliminação progressiva dos combustíveis à base de chumbo tem benefícios econômicos estimados em US$ 2,45 trilhões por ano (cerca de 4% do Produto Interno Bruto global).
De acordo com o panorama, houve pouco progresso em 40 metas, incluindo a expansão de áreas protegidas, como parques nacionais, enquanto pouco ou nenhum progresso foi detectado em 24 delas --incluindo as alterações climáticas, estoques de peixes e desertificação e seca.
Oito objetivos mostraram mais deterioração, incluindo a situação dos recifes de coral do mundo.
Análise dos modelos atuais mostra que as emissões de gases de efeito estufa podem dobrar nos próximos 50 anos, levando a um aumento na temperatura global de 3 graus Celsius ou mais até o final do século. Perdas na agricultura, danos de eventos climáticos extremos e os maiores custos de saúde vão reduzir o PIB global.
A região da Ásia-Pacífico vai contribuir com cerca de 45% das emissões de CO2 globais relacionadas à energia até 2030 e por volta de 60% das emissões globais até 2100, num cenário normal.
China, Índia e Coreia do Sul estão promovendo energia renovável e eficiência energética e concordaram com metas voluntárias de redução de emissões, em uma virada positiva em relação a uma energia mais verde.
Cerca de 20% das espécies de vertebrados estão ameaçadas. O risco de extinção aumenta rapidamente para os corais do que para qualquer outro grupo de organismos vivos, com a condição dos recifes de coral declinando 38% desde 1980. Retração ápida é projetada até 2050.
Os estoques de peixes diminuíram a uma taxa sem precedentes nas últimas duas décadas. A pesca mais do que quadruplicou entre os anos de 1950 e 1990, com o registro de estabilização ou diminuição até então.
Vai faltar água
Mais de 600 milhões de pessoas devem ficar sem acesso a água potável até 2015, enquanto mais de 2,5 bilhões de pessoas não terão acesso a saneamento básico. Desde 2000, os reservatórios de água subterrânea se deterioraram ainda mais, enquanto o uso mundial de água triplicou nos últimos 50 anos.
http://g1.globo.com/natureza/rio20/noticia/2012/06/onu-crise-ambiental-no-planeta-e-grave-mas-tem-solucao.html
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