sexta-feira, 20 de julho de 2012

Estudo do Inpa revela causas da morte de árvores na Amazônia

Tempestade, fatores biológicos e estresse. Esses foram os principais fatores da morte de árvores durante um estudo de mestrado realizado no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) pela estudante Clarissa Gouveia pelo período de um ano.
Orientado pelo pesquisador do órgão, Niro Higuchi, o estudo foi feito em dois espaços com uma área de 20 x 2500 m cada, totalizando 5.808 árvores, sendo catalogadas 67 mortes.
Segundo o estudo, período chuvoso é o nível de mortalidade das árvores costuma ficar maior, principalmente, devido à quantidade de tempestades e raios típicos da época. “Na região atingida pelo raio, geralmente encontra-se mais de um individuo morto, representados por mais de uma espécie, além de provocar a morte parcial ou total da regeneração natural do lugar”, esclarece a mestranda.
Árvore na área de preservação da Ufam Manaus (Foto: Adneison Severiano G1/AM)Árvores morrem mais na Amazônia durante o período de chuvas na região (Foto: Adneison Severiano G1/AM)
A maioria das árvores na Floresta Amazônica possuem copas assimétricas e as tempestades são capazes de aumentar o peso da copa, provocando a queda das árvores para o seu lado mais pesado. Existem, ainda, registros de tempestades de vento que podem matar milhares de árvores em apenas poucos dias, são os chamados downburst ou roça de ventos.
Já as mortes classificadas como fatores biológicos e de estresses são relacionadas a competição e supressão entre espécies, déficit hídrico, alagamentos, e ataques patógenos. “No momento que a árvore morre, ela continua a influenciar os organismos ao seu redor, auxiliando no equilíbrio e desenvolvimento de outros organismos. E, também, cooperando na mudança de biomassa, no fornecimento de luz, nutrientes e na umidade da floresta”, explica Clarissa.
Amazônia rio com plantas (Foto: Ana Castro - produtora de reportagem (TV Globo))Tempestades com raios e fortes ventos são um dos principais fatores para a morte de árvores na Amazônia (Foto: Ana Castro - produtora de reportagem (TV Globo)
A mortalidade arbórea é um processo natural no ecossistema florestal, pois influencia na estrutura, dinâmica, estoque de carbono e reciclagem de nutrientes. Mas, quando a mortalidade é maior que a capacidade de resistência da floresta, as consequências em longo prazo podem ser preocupantes. “São observadas mudanças nas taxas de evapotranspiração, temperatura, umidade e na estrutura das espécies”, ressalta Fontes.
O pioneirismo da pesquisa foi uma contribuição essencial para a comunidade científica, auxiliando na criação de novas perspectivas. “O desejo é que o estudo seja conduzido por mais tempo e em novas áreas para que possamos verificar um possível padrão de comportamento”, almeja Fontes, ressaltando a concepção de um banco de dados maior para a determinação mais exata das variações no clima e a sua relação com a mortalidade arbórea durante determinado período.
Ministério do Meio Ambiente vai reforçar fiscalização na área de fronteira agrícola entre os estados do Amazonas e Rondônia (Foto: Divulgação/Ibama)Infestação de insetos e fungos são outras causas de morte das árvores na Amazônia (Foto: Divulgação/Ibama)
Além das mudanças do tempo, pode-se destacar como influenciadores da mortalidade das árvores as infestações das mesmas por lianas, insetos e fungos. Durante o período da pesquisa, uma espécie foi morta pela hemi-epífita estranguladora Apuí e três outras por fungos patogênicos: duas por Ganoderma sp e uma por Auricularia delicata Fries.
“Esse tipo de estudo pode melhorar o entendimento das vulnerabilidades de nossas árvores diante de eventos catastróficos que vem ocorrendo na Amazônia, principalmente aquelas relacionadas com secas e tempestades”, concluiu a estudante.
Amazônia (Foto: Ana Castro - produtora de reportagem (TV Globo))
http://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2012/07/estudo-do-inpa-revela-causas-da-morte-de-arvores-na-amazonia.html

quinta-feira, 5 de julho de 2012

MPF denuncia 5 por extração ilegal de madeira em terra indígena de MT

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou cinco pessoas por exploração ilegal de madeiras na terra indígena do povo Kayabi, em Apiacás, a 1.005 km de Cuiabá. O crime foi descoberto durante uma fiscalização da Polícia Federal, no dia 5 de junho de 2011. Fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) também fizeram o flagrante da exploração ilegal no dia 16 do mesmo mês.
Conforme a denúncia, no local foram encontradas 107 toras de diversas espécies florestais extraídas pelos denunciados, além de dois tratores, uma motosserra, dois caminhões e uma espingarda de calibre 38.
 

Atuação
De acordo com a denúncia, dois auxiliares de serviços gerais, com uso de motosserras, eram os responsáveis pela derrubada das árvores. Um terceiro funcionário e o tratorista arrastavam e arrumavam as toras derrubadas, em clareiras próximas à estrada. As toras eram transportadas por eles para serem vendidas em cidades da região.
Os investigados foram denunciados por furtar; desmatar, explorar economicamente ou degradar floresta, plantada ou nativa, em terras de domínio público ou devolutas, sem autorização do órgão competente. Também utilizar motosserra em florestas e nas demais formas de vegetação, sem licença ou registro da autoridade competente e portar ilegalmente arma de fogo.

Segundo o MPF, a fiscalização foi realizada em razão do conhecimento de que a terra indígena Kayabi vem sendo alvo de posseiros da região que estão promovendo a derrubada predatória da floresta para a extração de madeira e intitulam-se proprietários de glebas no interior da reserva.

http://g1.globo.com/mato-grosso/noticia/2012/07/mpf-denuncia-6-por-extracao-ilegal-de-madeira-em-terra-indigena-de-mt.html