sábado, 25 de agosto de 2012

Degelo no Himalaia pode ser maior do que se pensava, diz estudo

Um estudo publicado na revista "Nature" nesta quarta-feira (22) mostra que o derretimento de gelo no Himalaia pode ser maior do que o estipulado no último levantamento,  divulgado em fevereiro deste ano.
Na pesquisa anterior, foram analisadas informações do satélite GRACE ("Experimento Climático e Reparação da Gravidade", na tradução do inglês). Cientistas estimaram, na época, que o Himalaia perdia cerca de cinco gigatoneladas de gelo por ano.
Para o novo estudo, foram usados dados de um satélite da agência espacial americana (Nasa) o ICESat, lançado em 2003 para medir mudanças na cobertura de gelo nas calotas polares.
O novo estudo mostra que o Himalaia perdeu 12 gigatoneladas de gelo por ano entre 2003 e 2008, mais do que o dobro do previsto anteriormente. Como o ICESat é preparado para medições nos polos, seus dados tiveram que ser revisados sistematicamente pelos cientistas, segundo a "Nature".
As geleiras do Himalaia incluem partes da China, Paquistão, Índia e Nepal, além do famoso Monte Everest e o K2, a segunda montanha mais alta da terra.
Diminuição
O derretimento significou uma diminuição de 21 centímetros de gelo no Himalaia por ano, segundo o cientista que lidera a pesquisa, Andreas Kääb, da Universidade de Oslo (Noruega). O valor "ainda é menor do que a estimativa global para [o derretimento] de geleiras e calotas polares", segundo a Nature.
Kääb afirma que os dados não são conclusivos, já que há perda de gelo maior ou menor dependendo da região do Himalaia. No noroeste da Índia, por exemplo, as geleiras derreteram 66 centímetros por ano.
O resultado pode ser usado como base para pesquisas futuras, mas uma análise do destino das geleiras exigiria coleta de dados por décadas, afirma Kääb. Para ele, o objetivo maior do estudo é "mostrar uma nova forma de usar os dados do ICESat".
Em um primeiro estudo usando dados do satélite GRACE, em 2010, cientistas avaliaram que as geleiras do Himalaia e do planalto tibetano enfrentavam perda de cerca de 50 gigatoneladas de gelo por ano, devido ao derretimento. Este resultado, no entanto, foi refutado pela pesquisa de fevereiro deste ano, que avaliou os mesmos números e chegou a outra conclusão.

 http://g1.globo.com/natureza/noticia/2012/08/degelo-no-himalaia-pode-ser-maior-do-que-se-pensava-diz-estudo.html

sábado, 18 de agosto de 2012

Cientistas identificam material que reduz poluição de veículos a diesel


Engenheiros da Universidade do Texas, nos EUA, afirmam ter identificado um material capaz de reduzir a poluição produzida por automóveis movidos a diesel.
O elemento, um tipo de mineral chamado mulita, pode substituir a platina, metal caro usado em motores a diesel para controlar a quantidade de poluição lançada no ar.
O estudo foi publicado na revista "Science" desta sexta-feira (17). Segundo os pesquisadores, uma versão sintética da mulita reduz até 45% mais poluição do que a platina usada em catalisadores de veículos.
Um dos responsáveis pela pesquisa, professor Kyeongjae Cho, da Universidade do Texas, enfatizou a facilidade de produção da mulita, em entrevista ao site da instituição. O mineral é raramente encontrado na natureza e pode ser produzido a partir do topázio.
"Muitos métodos de controlar a poluição de carros ou de usar energias renováveis requerem metais raros ou preciosos", disse Cho. "Nosso objetivo é acabar com a necessidade de usar estes metais e substitui-los com minerais e óxidos que possam ser encontrados ou obtidos facilmente."
O material "alternativo" vai ser comercializado com o nome de Noxicat, afirma o professor. Ele e sua equipe esperam identifcar outros usos da mulita, como para a criação de baterias.
http://g1.globo.com/natureza/noticia/2012/08/cientistas-identificam-material-que-reduz-poluicao-de-veiculos-diesel.html

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Árvores doentes podem aumentar aquecimento global, diz pesquisa

Árvores doentes podem estar gerando metano, um dos gases responsáveis pelo aquecimento global, segundo cientistas da Universidade de Yale, nos Estados Unidos. Eles pesquisaram 60 plantas na floresta de Yale Meyers, na região nordeste do estado de Connecticut, e encontraram concentrações do gás 80 mil vezes maiores do que o normal.
Em condições comuns, a presença do metano é de menos de duas partes por milhão na atmosfera. Nas partes ocas das árvores doentes, os pesquisadores encontraram níveis médios de 15 mil partes por milhão de metano no ar.
A pesquisa foi divulgada na revista "Geophysical Research Letters" ("Cartas de Pesquisa Geofísica", na tradução do inglês). A concentração do metano nas árvores doentes chega a ser inflamável, segundo o coordenador do estudo, Kristofer Covey, da Universidade de Yale.
O pesquisador aponta que as condições encontradas nas árvores são normais em vários locais de floresta no mundo, o que indica que os cientistas podem ter achado uma nova fonte de produção do metano "em escala global".
As árvores doentes têm um potencial de aquecimento global equivalente a 18% do carbono capturado pelas mesmas florestas, reduzindo o benefício climático que elas criariam em cerca de um quinto, segundo Covey.
"Se nós extrapolarmos o que foi encontrado [no estudo] para florestas em escala global, o metano produzido pelas árvores representaria 10% das emissões do mundo", afirmou Xuhui Lee, co-autor da pesquisa e professor de meteorologia em Yale. Ele reconhece que os cientistas "não sabiam da existência" deste processo de criação do metano.
Mais velhas
As árvores que produzem metano são mais velhas e doentes, com idade entre 80 e 100 anos. No caso da floresta de Yale, elas estão sendo afetadas por um fungo que cria condições favoráveis para a proliferação de microorganismos que fabricam o gás.
Ninguém havia pensado que a ideia de podridão causada por fungos, um problema comum em florestas, poderia estar ligado à produção de gases-estufa e ao aquecimento global, reforçam os cientistas.
http://g1.globo.com/natureza/noticia/2012/08/arvores-doentes-podem-aumentar-aquecimento-global-diz-pesquisa.html

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Desmatamento na Amazônia cai 49% entre abril e julho, aponta Inpe

O desmatamento na Amazônia Legal caiu 49% entre abril e julho de 2012, na comparação com o mesmo período do ano passado, informou nesta quinta-feira (2) o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Os dados foram obtidos pelo sistema de detecção do desmatamento em tempo real, o Deter, que utiliza imagens de satélite para visualizar a perda mensal de vegetação no bioma.
Na comparação dos dados do Deter de agosto 2010 a julho 2011 com agosto de 2011 a julho de 2012, houve redução de 23% na devastação do bioma (caiu de 2.679,56 km² para 2.049,83 km²).
Entretanto, o índice oficial anual, fornecido pelo sistema Prodes (Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal) deve ser divulgado apenas nos próximos meses.
Segundo o instituto, entre abril, maio, junho e julho deste ano o desmatamento causou a perda de 651,62 km² de cobertura florestal, uma área equivalente a 36 vezes o tamanho do arquipélago de Fernando de Noronha, em Pernambuco. Nos quatro meses de 2011, a devastação registrada no bioma foi de 1.282,99 km² (uma área maior que cidade do Rio de Janeiro).
Em abril de 2012, houve uma redução de 232,57 km² de floresta. Em maio, a perda foi de 98,85 km²; em junho, uma área de 107,5 km² foi devastada, enquanto que em julho, houve a derrubada de 212,7 km² de mata nativa devido ao desmatamento. A cobertura de nuvens entre abril e junho não alcançou 50%, ou seja, os satélites conseguiram observar boa parte do bioma, que abrange nove estados brasileiros. O dado de julho ainda não estava disponível
Estados
Mato Grosso foi o estado que registrou maior redução na devastação entre 2012 e 2011. Segundo o Deter, MT foi responsável pela perda de 311,84 km² de floresta entre abril e julho (178 km², 34,32 km², 47,68 km² e 51,52 km²respectivamente) -- queda de 50% na comparação com o mesmo período do ano passado.
Em 2011, uma intervenção do governo federal foi necessária no estado devido ao ritmo intenso de degradação da vegetação. Na época, o ministério do Meio Ambiente anunciou a criação de um "gabinete de crise" para "sufocar" o ritmo de destruição na região.

Ainda na análise do quadrimestre de 2012, o Pará foi responsável por derrubar 187,82 km² de vegetação, sendo que em julho houve o maior índice, 92,98 km², sendo o estado que mais desmatou a floresta amazônica no último mês analisado. Rondônia vem em seguida, com 91,61 km².
Imagem aérea mostra desmatamento na Amazônia. Perda da cobertura vegetal no bioma pode acarretar na extinção de diversas espécies de animais. (Foto: Divulgação/Toby Gardner/Science)Imagem aérea mostra desmatamento na Amazônia. Segundo o Inpe, bioma perdeu 651 km² de cobertura vegetal entre abril e julho deste ano. (Foto: Divulgação/Toby Gardner/Science)
Menor índice histórico
Em junho, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, anunciou que a Amazônia Legal teve o menor índice de desmatamento dos últimos 23 anos. Segundo Inpe, a região teve 6.418 km² de floresta desmatada entre agosto de 2010 e julho de 2011 -- equivalente a quatro vezes o tamanho da cidade de São Paulo.
Foi a menor taxa desde que o instituto começou a fazer a medição, em 1988, e houve uma redução de 8% em relação ao mesmo período em 2009 e 2010. No entanto, em dezembro do ano passado, o Inpe havia divulgado uma expectativa de desmate de 6.238 km² -- alta de 3%.
O número foi obtido a partir dos dados consolidados do sistema Prodes (Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal), que consolida informações coletadas ao longo de um ano por satélites capazes de detectar áreas desmatadas a partir de 6,25 hectares.
  (Foto:  )