sábado, 1 de dezembro de 2012

Levantamento inédito aponta perda de gelo na Antártica e na Groenlândia


Um time de 47 especialistas de 26 laboratórios internacionais reuniu dados de dez missões de satélites para medir a perda de gelo das calotas de gelo da Antártica e da Groenlândia, e o reflexo disso no aumento do nível do mar.
A conclusão deles é que, desde 1992, o derretimento nessas regiões elevou os oceanos em cerca de 11,1 milímetros. Segundo os autores, dois terços da água vieram da Groenlândia, e o restante, da Antártica.
A pesquisa será publicada na próxima edição da revista “Science”, nesta sexta-feira (30). Os dados se enquadram na da previsão do relatório do o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), de 2007, mas esta era tão ampla que sequer permitia saber com certeza se a Antártica estava perdendo ou ganhando gelo.
Segundo os autores, o novo levantamento é duas vezes mais preciso do que a informação de que se dispunha antes. “Nossas estimativas de perda de geleiras são as mais confiáveis até agora. Elas encerram 20 anos de incerteza em relação às mudanças na massa das camadas de gelo da Antártica e da Groenlândia, e sua intenção é virarem os dados de referência para os cientistas do clima a partir de agora”, afirmou a jornalistas o professor da Universidade de Leeds, na Inglaterra, Andrew Shepherd.
O estudo ainda aponta que a taxa combinada de derretimento da camada de gelo aumentou com o tempo e, juntas, Groenlândia e Antártica agora perdem mais de três vezes a quantidade de gelo que perdiam na década de 1990.
O professor Erik Ivins, do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL, na sigla em inglês), um dos coordenadores do levantamento, aponta que “a taxa de perda de gelo na Groenlândia aumentou quase cinco vezes desde meados dos anos 1990. Em contraste, enquanto as mudanças regionais no gelo antártico ao longo do tempo são surpreendentes, o balanço geral permaneceu relativamente constante – ao menos dentro da certeza proporcionada pelas medidas de satélite que temos à mão”.
Imagem divulgada por um dos pesquisadores mostra corredeira no meio de calota polar na Groenlândia em 4 de julho deste ano (Foto: Ian Joughin/AP)
Padronização
De acordo como glaciologista brasileiro Jefferson Simões, coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Criosfera, que não participou do trabalho, mas acompanha as pesquisas na área, a metodologia desenvolvida pelos cientistas ajuda a reestruturar e padronizar as medidas referentes ao degelo global.

“Nós temos claramente sinais de degelo acelerado no sul da Groenlândia, norte da Península antártica e nas montanhas pelo mundo. O serviço de monitoramento das geleiras funciona há 160 anos e percebemos um processo de derretimento acelerado nos últimos 20 anos”, explica.

Segundo ele, a grande questão a partir de agora é descobrir se o limite máximo de elevação do nível do mar até 2100 é mesmo de um metro, conforme previsão feita pelo IPCC, ou se pode superar essa medida.

Desde a última segunda-feira (26), representantes de mais de 190 países estão reunidos no Qatar para a Conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Mudanças Climáticas (COP 18), para discutir como será possível reduzir as emissões de gases-estufa que elevam as temperaturas do planeta.
http://g1.globo.com/natureza/noticia/2012/11/levantamento-inedito-aponta-perda-de-gelo-na-antartica-e-na-groenlandia.html

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Estudo mostra que seca pode afetar fluxo de água dentro de árvores


Pesquisa divulgada nesta quarta-feira (21) pela revista científica “Nature” aponta que uma maior frequência na quantidade de secas no planeta, consequência de alterações climáticas, poderia causar um colapso no fluxo de água existente no interior das árvores e proporcionar uma maior mortalidade de espécies.
O transporte de água da raiz das árvores para partes mais altas ocorre por um conjunto de canais conhecido como xilema. Uma possível escassez de fluidos no solo prejudicaria o ciclo natural das árvores, que teriam de "forçar" a extração de água do solo.
Dinizia Excelsa, a deusa maior da Floresta Amazônia, com 40m de altura (Foto: Museu da Amazônia / Vanessa Gama)
De acordo com o estudo, essa sucção intensa dentro do xilema geraria bolhas de ar, que podem entupir canais que transportam água para partes mais altas da planta - um resultado que é conhecido como falha hidráulica e que pode levar à morte da árvore.
Cientistas da Universidade de Ulm, na Alemanha, estudaram esse fluxo natural em 226 árvores localizadas em 81 diferentes locais do mundo. Eles observaram a pressão do xilema dessas espécies durante um período de estresse hídrico (ausência de chuvas). Segundo o estudo, foi constatado que metade das árvores analisadas apresentaram problemas no transporte interno de água.
Maioria vulnerável
Havia a expectativa de que árvores presentes em locais áridos teriam mais chances de sobrevivência por estarem adaptadas ao clima. Ao mesmo tempo, aquelas dependentes do clima úmido ficariam mais vulneráveis com uma maior escassez de chuvas.
No entanto, 70% das árvores estudadas apresentaram dificuldades no funcionamento do xilema, independente de sua localização. Os cientistas afirmam que plantas com flores, também chamadas de angiospermas, correm mais risco de serem afetadas do que pinheiros e seus familiares, conhecidos com gimnospermas.
http://g1.globo.com/natureza/noticia/2012/11/estudo-mostra-que-seca-pode-afetar-fluxo-de-agua-dentro-de-arvores.html

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Novo Código Florestal terá campanha de divulgação pelo país, diz ministra


A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse nesta sexta-feira (9) no programa de rádio "Bom Dia, Ministro", que nos próximos dois anos o governo vai realizar campanhas de esclarecimento do novo Código Florestal, voltadas aos produtores rurais e que terá envolvimento de organizações de classe ligadas aos setores agropecuário e ambiental.
Ela confirmou que o governo federal vai adquirir imagens de satélites em alta resolução para monitorar cinco milhões de imóveis rurais do Brasil, como parte da implantação do Cadastro Ambiental Rural (CAR), que entrou em vigência com a nova lei. Assim, proprietários rurais podem fazer sua inscrição gratuitamente no CAR.

Segundo a ministra, as imagens em alta resolução possibilitarão que a União e governos estaduais “enxerguem” as propriedades rurais e façam cumprir o dispositivo, que tem o objetivo de conter desmatamentos ilegais em áreas de proteção permanente (APPs). O contrato de R$ 28,9 milhões será assinado ainda nesta sexta, durante cerimônia que acontecerá em Brasília.

“Será uma gestão de tranquilidade, onde todos serão informados sobre o que vai acontecer e como irá acontecer. As imagens feitas em todos os estados e municípios possibilitará a realização gratuita do CAR. A partir destes dados, vamos avaliar a situação e propor medidas de recuperação”, explicou a ministra durante o programa.

O CAR é o registro eletrônico obrigatório que vai concentrar informações sobre todos os imóveis rurais. A inscrição da propriedade no cadastro deverá ser feita em um órgão ambiental estadual ou municipal um ano após sua implantação.
Redistribuição de tributos do petróleo
Izabella também comentou sobre o projeto de lei que prevê a redistribuição de royalties provenientes da exploração do petróleo. Questionada sobre uma possível perda de recursos do Ministério do Meio Ambiente devido à proposta, a ministra disse que a presidente Dilma Rousseff ainda não recebeu o texto-base aprovado, mas que o ministério vai trabalhar para alocar recursos voltados para a questão ambiental.
Um dos projetos do MMA que receberiam verbas provenientes da exploração de petróleo no pré-sal é o Fundo Clima, cujos recursos poderão ser utilizados em projetos para reduzir o desmatamento e a degradação florestal, além de financiar projetos de desenvolvimento tecnológico.

Há ainda outros programas previstos pela pasta do Meio Ambiente que aguardam recursos dos tributos do petróleo, como a criação de planos de prevenção contra acidentes climáticos. “Não tenho como opinar, mas o Executivo cuidará para assegurar a verba ambiental”, disse Izabella.
Fiscalização na Amazônia
Sobre a Amazônia, Izabella adiantou que a taxa anual de desmatamento da Amazônia de 2012 deve apresentar uma nova queda, segundo dados do sistema Prodes. No entanto, a ministra não divulgou detalhes, afirmando que os números devem ser apresentados em breve.
Ela comentou que o governo tem reforçado a fiscalização no bioma, citando a estratégia anunciada há um mês em conjunto com o Ministério da Justiça, que conta com ações de combate a crimes ambientais por meio de força policial especial permanente, além de ações do Exército, da Polícia Rodoviária Federal e outros organismos do governo.
Além disso, ela disse que a fiscalização ambiental no país deverá ser reforçada com a contratação de mil pessoas para o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) e o Instituto Chico Mendes (ICMBio). “Estamos esperando o Congresso aprovar mil vagas (...). Isso é essencial para que possamos dar resposta às unidades de conservação nacional”, explica a ministra”.
http://g1.globo.com/natureza/noticia/2012/11/novo-codigo-florestal-tera-campanha-de-divulgacao-pelo-pais-diz-ministra.html

sábado, 3 de novembro de 2012

Reunião para criar áreas de proteção na Antártica termina sem acordo


Um acordo que estava sendo construído entre 250 delegados de 24 países mais a União Europeia, para a criação de grandes áreas de proteção ambiental nos mares da Antártica, terminou sem resultado nesta quinta-feira (1º), segundo informam as agências internacionais.
Os representantes dos países, que integram a Comissão para a Conservação dos Recursos Marinhos da Antártica (CCAMLR, na sigla em inglês), decidiram que o grupo volta a se reunir na Alemanha somente no próximo ano, em julho de 2013.
Eles participavam há duas semanas de uma conferência da CCAMLR na Tasmânia, Austrália, para decidir sobre a criação das áreas de proteção ambiental.
Pinguins imperadores na Antártica (Foto: Divulgação/U.S. Antarctic Program/National Science Foundation)Pinguins imperadores na Antártica (Foto: Divulgação/U.S. Antarctic Program/National Science Foundation)
Organizações ambientais, como o WWF, demonstraram preocupação com a falta de consenso sobre a criação das reservas.
Uma das propostas defendidas pelos Estados Unidos, pela Nova Zelândia e por outros países era criar duas áreas de proteção ambiental: uma de cerca de 1,6 milhão de km² e outra de 1,9 milhão de km², em dois pontos nos mares da Antártica.
Se fossem criadas, as reservas iriam garantir a proteção de animais como baleias e pinguins em uma região equivalente a três vezes o tamanho da França, informa a britânica BBC.
O fracasso em chegar a um acordo foi creditado principalmente à atuação dos delegados da Rússia, da China e da Ucrânia, de acordo com os ambientalistas. "Estamos desapontados", disse à imprensa internacional o representante da ONG Aliança para o Oceano Antártico, Steve Campbell.

sábado, 27 de outubro de 2012

Cultivo de soja em áreas recém-desmatadas da Amazônia cresce 57%


O Ministério do Meio Ambiente e representantes de setores da sociedade civil anunciaram nesta quinta-feira (26) os resultados do último ano (período 2011/12) da chamada moratória da soja, um acordo de empresas de agronegócios para evitar o desmatamento da Amazônia para a produção dessa commodity.
O monitoramento das áreas desmatadas nos estados de MT, PA e RO apontou um aumento de 57% das plantações de soja em áreas desmatadas depois de outubro de 2006. Na safra passada (2010/2011), haviam sido detectados 11.698 hectares (116,6 km²) plantados, contra 18.410 hectares (184,1 km²) deste ano. O aumento entre o dado deste ano e o do anterior, no entanto, foi menor que entre 2009/2010 e 2010/2011, quando chegou a 85%.
Durante o anúncio desta quinta, a moratória foi renovada por mais um ano. Pelo acordo, as empresas de agronegócio se comprometem a não comprar a soja que tenha origem em áreas que tiveram a floresta reitrada após 2006.
Carlo Lovatelli, Presidente da Associação Brasileira das Indústrias do óleos vegetais (Abiove) afirma que, apesar do aumento, a soja não está entre os principais causadores do desmatamento na Amazônia, mas é um fator que merece sempre atenção. "Ela não é o principal motivo do desmatamento, mesmo assim, nos incomodamos com o aumento," afirmou.
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, afirmou que a moratória demonstrou que é possível aumentar a produção de soja, sem degradar a floresta. "Em cinco anos, tivemos a menor taxa de desmatamento da Amazônia e a maior produção de soja. O que precisamos agora é eliminar dessa base aqueles que não querem cumprir a lei", disse.
A ministra também frisou a importância da criação do Cadastro Ambiental Rural, que permirá conhecer quantos e quais são as propriedades rurais no Brasil. "Com ele poderemos ter o controle de todas as propriedades, levando ao aperfeiçoamento da gestão da informação de produção de alimentos no Brasi," afirmou.
http://g1.globo.com/natureza/noticia/2012/10/cultivo-de-soja-em-areas-recem-desmatadas-da-amazonia-cresce-57.html

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Incêndio na Serra do Cipó é o maior da história do parque, diz analista

O incêndio na Serra do Cipó, na Região Central de Minas Gerais, pode ser considerado o pior da história do parque, segundo Paulo Sérgio Avelar, ambientalista do Instituto Chico Mendes, que administra a operação de comabte ao fogo. Nesta quinta-feira (11), cerca de 70 brigadistas, bombeiros e voluntários intensificaram o combate às chamas.
O fogo começou nesta sexta-feira (5). De acordo com Avelar, nos primeiros dias do incêndio, a estimativa era de que cinco mil hectares haviam sido queimados, mas este número com certeza é muito maior. O fogo está perto Cachoeira das Andorinhas e do Córrego dos Gaviões.
 

A suspeita é que ele tenha sido provocado de forma criminosa. Por causa do fogo, o parque está fechado para visitação. Três aeronaves e um helicóptero estão ajudando no combate as chamas.
No dia 4 de outubro, foi registrado outro incêndio em uma área próxima ao Rio Cipó, região vizinha do local atingido. As chamas foram extintas no mesmo dia.

http://g1.globo.com/minas-gerais/noticia/2012/10/incendio-na-serra-do-cipo-e-o-maior-da-historia-do-parque-diz-analista.html

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Indústria da Europa quer acesso mais confiável à biodiversidade mundial


A Comissão Europeia apresentou nesta quinta-feira (4) uma proposta para assegurar o acesso mais confiável de pesquisadores e empresas da União Europeia a recursos genéticos que estão em outros países.
A discussão tem a ver com a implantação do Protocolo de Nagoya, que estabelece regras para o acesso à biodiversidade, como plantas tropicais raras usadas em medicamentos, e formas de compartilhar benefícios entre empresas, povos indígenas e governos.
Criado em 2010, o acordo global volta a ser discutido na Conferência das Partes (COP-11) da Biodiversidade, encontro anual da Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica (CBD) que se inicia no próximo dia 8, na Índia.
Dos 92 países que assinaram o documento criando o pacto global, apenas cinco o ratificaram (o Brasil ainda não o fez), número bem abaixo dos 50 necessários para que ganhe força legal. A meta é que o protocolo esteja em pleno funcionamento até 2015.
Em comunicado, a Comissão Europeia informou que “a proposta pretende proteger os direitos dos países e das comunidades indígenas, assim como oferecer aos pesquisadores na Europa um acesso confiável a amostras de qualidade de recursos genéticos, com um custo baixo e um alto grau de segurança jurídica”.
O bloco decidiu dar este passo ante à “falta de normas claras” para este comércio, que sofre com o fenômeno da biopirataria. Este vácuo legal propicia, segundo alguns países administradores de recursos genéticos - como o Brasil -- uma ação abusiva por parte de cientistas estrangeiros.
Oficiais das Nações Unidas durante preparativos para a COP-11 da Biodiversidade, que acontece a partir do dia 8 em Hyderabad, na Índia (Foto: Mahesh Kumar A/AP)Oficiais das Nações Unidas durante preparativos para a COP-11 da Biodiversidade, que acontece a partir do dia 8 em Hyderabad, na Índia (Foto: Mahesh Kumar A/AP)
Desafios pela frente
À frente do órgão máximo da ONU para a biodiversidade, o brasileiro Braulio Dias, secretário-executivo da CBD,  afirmou ao G1 que o encontro na Índia tratará de temas delicados como a disponibilização de recursos de nações ricas para que países pobres mantenham suas florestas em pé e recursos naturais intactos, além de planejar formas de aumentar a conservação de ambientes marinhos e terrestres, conciliando com o desenvolvimento econômico.

Tudo isso em pleno período de recessão econômica, que atinge principalmente a União Europeia e os Estados Unidos. Ele explica que para atacar o que afeta a biodiversidade no mundo é preciso de muito dinheiro.

Ainda não existe um número fechado, mas Dias estima que para um único tópico dos 20 objetivos, que refere-se à ampliação de áreas protegidas no mundo, será necessário investir nos próximos oito anos até US$ 600 bilhões.

A dificuldade que a conferência deve enfrentar será a mesma já ocorrida em negociações como a climática: países ricos dizendo que não têm dinheiro e nações pobres cobrando investimentos e se isentando de possíveis aportes para “salvar o mundo”.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Desmate na Amazônia triplica no mês de agosto em relação a 2011, diz Inpe


A Amazônia Legal perdeu no último mês de agosto uma área de 522 km² de floresta devido ao desmatamento, número que é 220% maior que a devastação ocorrida no mesmo período do ano passado, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Foi o mês que mais registrou desmatamento neste ano.
É como se a floresta perdesse em apenas 31 dias uma área equivalente a 29 vezes o tamanho da ilha de Fernando de Noronha, principal faixa de terra que integra o arquipélago existente na costa de Pernambuco.

Em agosto de 2011, o sistema de detecção do desmatamento em tempo real, o Deter, que usa imagens de satélite para analisar a degradação da floresta, havia visualizado a redução de 163,35 km² de mata nativa.
Apesar de o estado do Pará ter registrado o maior índice de desmatamento no mês passado (227,82 km²), Mato Grosso foi o que teve a maior variação na comparação entre agosto de 2012 e 2011 – um aumento de 336% na degradação, com perda de 208,98 km² de floresta.
Durante a medição, apenas 4% da floresta não foram visualizados devido à quantidade de nuvens, ou seja, praticamente todo o bioma foi monitorado.
O Ministério do Meio Ambiente informou, por meio de nota à agência Reuters, que o pico de desmatamento "se deve a fatores como a quebra da safra de milho nos Estados Unidos, que levou à abertura de novas áreas para o plantio de soja no Brasil, a alta da cotação do ouro no mercado internacional, que está provocando o incremento da atividade garimpeira ilegal e, principalmente, o aumento das queimadas".
Segundo a nota, os registros de desmatamento nos meses de agosto, setembro e outubro são historicamente mais altos, por conta do período de seca na Amazônia, que favorece a disseminação de focos de incêndio. A pasta informou ainda que o mês de setembro deve mostrar uma reversão no quadro e que até o dia 20 deste mês foram registrados 130 quilômetros quadrados de áreas desmatadas.
Pouca diferença na comparação anualEntre janeiro e agosto de 2012, a floresta perdeu uma área de 1.562,96 km² -- maior que o tamanho da cidade de São Paulo. O total é apenas 2,2% menor que o montante devastado no mesmo período do ano passado (1.599,22%).
Em junho, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, anunciou que a Amazônia Legal teve o menor índice de desmatamento dos últimos 23 anos. Segundo Inpe, a região teve 6.418 km² de floresta desmatada entre agosto de 2010 e julho de 2011 -- o equivalente a quatro vezes o tamanho da cidade de São Paulo.
Foi a menor taxa desde que o instituto começou a fazer a medição, em 1988, e houve uma redução de 8% em relação ao mesmo período em 2009 e 2010. No entanto, em dezembro do ano passado, o Inpe havia divulgado uma expectativa de desmate de 6.238 km² -- alta de 3%. O número foi obtido a partir dos dados consolidados do sistema Prodes.
http://g1.globo.com/natureza/noticia/2012/09/desmate-na-amazonia-triplica-no-mes-de-agosto-em-relacao-2011-diz-inpe.html

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Expansão urbana global ameaça 205 espécies de animais, diz estudo

Um novo estudo realizado por pesquisadores norte-americanos afirma que até 2030, 1,2 milhão de km² do planeta deixarão de ser áreas inabitadas ou preservadas para dar lugar a grandes cidades – uma área equivalente ao dobro do tamanho do estado da Bahia.
A pesquisa afirma ainda que ao menos 15% da Mata Atlântica e 2,5% do Cerrado, ambos biomas do Brasil, estariam ameaçados por novos aglomerados urbanos e estima que 205 espécies de anfíbios, mamíferos e aves (sendo 134 apenas do continente americano) devem ser impactadas por novos projetos de desenvolvimento, que destruiriam seus habitats.
Os números fazem parte de uma investigação científica realizada por estudiosos das universidades de Yale, Texas A&M e Boston, todas dos Estados Unidos, publicada nesta segunda-feira (17) na revista da academia americana de ciências, a “PNAS”. O estudo utilizou dados de diversas instituições, entre elas a a Organização das Nações Unidas (ONU) e o Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC).
A partir da análise, os especialistas afirmam que é preciso desenvolver projetos sustentáveis para os próximos 28 anos, o que evitaria um grande impacto ao meio ambiente e às futuras gerações humanas.
                                      Investimento pesado para novas cidades
Serão gastos ao menos US$ 25 trilhões (cerca de R$ 50 trilhões) em infraestrutura em todos os países, sendo que somente a China investirá US$ 100 bilhões por ano. Entretanto, o estudo prevê que 48 dos 221 países deverão ter crescimento insignificante nos próximos anos.

Aliás, a Ásia será responsável por metade desses investimentos. Somente China e Índia vão consumir 55% do montante total aplicado na região. Os dois países já elaboraram planos de expansão ousados, que destruirão vilas e aldeias para transformá-las em grandes metrópoles. Na Índia, por exemplo, regiões próximas ao Himalaia deverão se tornar, no futuro, em áreas com grande densidade populacional.
Na África, segundo os pesquisadores, a taxa de desenvolvimento deverá ser 590% maior se comparada à velocidade do ano 2000. Essa expansão urbana se concentrará na Guiné, no Quênia, Uganda, Ruanda, Burundi, Nigéria e Etiópia.
Na América do Norte, onde 78% da população já vive em áreas urbanas, a ocupação do solo deverá dobrar de tamanho em 2030. Porém, apesar do crescimento, os cientistas alertam para impactos significativos sobre a biodiversidade no mundo.
De acordo com Burak Guneralp, um dos autores do estudo, é preciso repensar as políticas de conservação, “o que significaria ter mais cidades sustentáveis”. “Não é tudo pegada de carbono, como pensam os prefeitos atualmente, mas precisamos considerar como a expansão urbana implicará nas espécies não humanas e no valor dessas espécies para as gerações presentes e futuras”, explica.
 http://g1.globo.com/natureza/noticia/2012/09/expansao-urbana-global-ameaca-205-especies-de-animais-diz-estudo.html

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Ventos do mundo podem garantir energia limpa até 2030, diz estudo

Um estudo da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, afirma que as fontes de vento disponíveis no planeta são muito maiores do que as necessárias para suprir a demanda por energia de um modo limpo e econômico no mundo até 2030.
A maior parte do potencial eólico necessário está sobre os oceanos, afirmam os cientistas. Para determinar o potencial máximo de vento do planeta, eles criaram um modelo atmosférico em 3D, levando em conta o uso de turbinas de vento para extração da energia do ar circulante.
Os pesquisadores dizem que há um limite para a quantidade de energia que pode ser extraída da atmosfera. Eles calcularam qual seria o potencial eólico a 100 metros acima do nível do solo, altura média do eixo das turbinas de vento.
Pelo estudo, publicado no periódico "Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America", os ventos do planeta podem produzir mais de 250 terawatts se forem instaladas turbinas em toda a superfície do globo a 100 metros do solo.
O número equivale a mais de 16 vezes a energia consumida pela população do planeta em 2008. Já a 10 quilômetros acima do nível do chão, altura em que os ventos adquirem velocidade muito maior, a produção energética pode chegar a 380 terawatts. Em 2008, o consumo de energia em todo o planeta foi de aproximadamente 15 terawatts, segundo reportagem da revista "The Economist".
Se for considerada apenas a superfície do planeta que é coberta por rochas e solo (sem levar em conta mares, rios e oceanos), e se forem instaladas turbinas também no litoral, a produção chegaria a 80 terawatts, segundo os pesquisadores.
Ponto de saturação
Autores do estudo, os cientistas Mark Jacobson e Cristina Archer chegaram à conclusão que há um ponto de saturação para o número de turbinas usadas para extrair energia eólica. Segundo eles, no ponto de saturação nenhuma turbina consegue extrair mais de 59,3% da energia cinética do vento para transformá-la em elétrica.

Os cientistas calcularam que 4 milhões de turbinas operando a 100 metros do solo e produzindo 5 megawatts cada uma poderiam suprir uma demanda de 7,5 terawatts - mais da metade do que é consumido hoje em termos de energia elétrica no mundo.
Criar "fazendas de vento" em locais geograficamente escolhidos, com um número fixo de turbinas, pode aumentar a produtividade da energia eólica, diz a pesquisa. Os cientistas sugerem também aproveitar a colocação de turbinas nos oceanos e regiões marítimas para otimizar os ganhos com este tipo de energia.
 http://g1.globo.com/natureza/noticia/2012/09/ventos-do-mundo-podem-garantir-energia-limpa-ate-2030-diz-estudo.html

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Desmatamento na Amazônia cai 17% entre 2011 e 2012, segundo Inpe

O desmatamento registrado na Amazônia Legal caiu 17% entre 1º de janeiro e 15 de agosto de 2012, na comparação com o mesmo período de 2011, apontam dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
As informações foram obtidas pelo sistema de detecção do desmatamento em tempo real, o Deter, que usa imagens de satélite para visualizar a perda de vegetação na região. Comparando os dados no intervalo de tempo avaliado, a devastação passou de 1.485,66 km² de floresta no ano passado para 1.232,75 km² neste ano, recuo de 252,91 km².
Na comparação entre os três últimos meses deste ano (de 15 de maio a 15 de agosto de 2012) com o mesmo período de 2011, o recuo no desmate foi maior, de 27,8%. A devastação passou de 773,85 km², no intervalo registrado em 2011, para 558,21 km² neste ano.
Em agosto, o Inpe anunciou que publicaria informações do Deter a cada 15 dias. Os dados são considerados um levantamento rápido e não têm o nível de detalhe da pesquisa oficial prevista para o final do ano pela instituição, o Prodes (Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal).
Estados
O estado campeão no ranking da devastação continua sendo o Mato Grosso (694,69 km² de área destruída), seguido do Pará (321,58 km²) e de Rondônia (121,68 km²), segundo os dados do Deter de janeiro a agosto de 2012. No ano passado, estes mesmos estados lideraram o desmate da Amazônia Legal - o Mato Grosso perdeu 744,68 km² de floresta, o Pará perdeu 365,92 km² e Rondônia teve 230,36 km² de desmatamento.
Para o professor de política ambiental e mudança climática da Unesp (Universidade Estadual Paulista), David Montenegro Lapola, apesar de parciais, os números mostram continuação na tendência de queda no desmatamento da Amazônia, "algo que ocorre desde 2004".
Ele aponta dois fatores para o recuo na destruição: a maior presença do poder público na Amazônia, principalmente na forma de fiscalização, e o desaquecimento da economia global, que pode ter levado a uma demanda menor por produtos da fronteira agrícola na região, que há anos têm se expandido rumo à floresta.
Para o professor, a criação de áreas de proteção ambiental e a presença maior de agentes da Polícia Federal e do Ibama na região nos últimos anos contribuíram para a diminuição do desmatamento. "Mas não podemos ignorar a questão do desaquecimento econômico internacional", ressalta.
O pesquisador aponta que a queda na destruição da Amazônia contribui também para a redução nas emissões de gases-estufa que causam mudanças climáticas pelo planeta. Aproximadamente 75% das emissões de gases-estufa no Brasil vêm de queimadas e devastação de florestas e outros biomas, incluindo a Amazônia, afirma Lapola.
"Acho que ainda há mais o que fazer com relação à fiscalização. Se a gente pode reduzir em 80% [o desmatamento], por que não podemos reduzir em 100%?", diz o professor, fazendo referência à meta definida por lei no Brasil pela Política Nacional de Mudanças Climáticas. Pela legislação, o país tem como meta reduzir a destruição da Amazônia em 80% até 2020.
Menor índice histórico
Em junho, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, anunciou que a Amazônia Legal teve o menor índice de desmatamento dos últimos 23 anos. Segundo Inpe, a região teve 6.418 km² de floresta desmatada entre agosto de 2010 e julho de 2011 -- o equivalente a quatro vezes o tamanho da cidade de São Paulo.
Foi a menor taxa desde que o instituto começou a fazer a medição, em 1988, e houve uma redução de 8% em relação ao mesmo período em 2009 e 2010. No entanto, em dezembro do ano passado, o Inpe havia divulgado uma expectativa de desmate de 6.238 km² -- alta de 3%. O número foi obtido a partir dos dados consolidados do sistema Prodes.
http://g1.globo.com/natureza/noticia/2012/09/desmatamento-na-amazonia-cai-17-entre-2011-e-2012-segundo-inpe.html

sábado, 25 de agosto de 2012

Degelo no Himalaia pode ser maior do que se pensava, diz estudo

Um estudo publicado na revista "Nature" nesta quarta-feira (22) mostra que o derretimento de gelo no Himalaia pode ser maior do que o estipulado no último levantamento,  divulgado em fevereiro deste ano.
Na pesquisa anterior, foram analisadas informações do satélite GRACE ("Experimento Climático e Reparação da Gravidade", na tradução do inglês). Cientistas estimaram, na época, que o Himalaia perdia cerca de cinco gigatoneladas de gelo por ano.
Para o novo estudo, foram usados dados de um satélite da agência espacial americana (Nasa) o ICESat, lançado em 2003 para medir mudanças na cobertura de gelo nas calotas polares.
O novo estudo mostra que o Himalaia perdeu 12 gigatoneladas de gelo por ano entre 2003 e 2008, mais do que o dobro do previsto anteriormente. Como o ICESat é preparado para medições nos polos, seus dados tiveram que ser revisados sistematicamente pelos cientistas, segundo a "Nature".
As geleiras do Himalaia incluem partes da China, Paquistão, Índia e Nepal, além do famoso Monte Everest e o K2, a segunda montanha mais alta da terra.
Diminuição
O derretimento significou uma diminuição de 21 centímetros de gelo no Himalaia por ano, segundo o cientista que lidera a pesquisa, Andreas Kääb, da Universidade de Oslo (Noruega). O valor "ainda é menor do que a estimativa global para [o derretimento] de geleiras e calotas polares", segundo a Nature.
Kääb afirma que os dados não são conclusivos, já que há perda de gelo maior ou menor dependendo da região do Himalaia. No noroeste da Índia, por exemplo, as geleiras derreteram 66 centímetros por ano.
O resultado pode ser usado como base para pesquisas futuras, mas uma análise do destino das geleiras exigiria coleta de dados por décadas, afirma Kääb. Para ele, o objetivo maior do estudo é "mostrar uma nova forma de usar os dados do ICESat".
Em um primeiro estudo usando dados do satélite GRACE, em 2010, cientistas avaliaram que as geleiras do Himalaia e do planalto tibetano enfrentavam perda de cerca de 50 gigatoneladas de gelo por ano, devido ao derretimento. Este resultado, no entanto, foi refutado pela pesquisa de fevereiro deste ano, que avaliou os mesmos números e chegou a outra conclusão.

 http://g1.globo.com/natureza/noticia/2012/08/degelo-no-himalaia-pode-ser-maior-do-que-se-pensava-diz-estudo.html

sábado, 18 de agosto de 2012

Cientistas identificam material que reduz poluição de veículos a diesel


Engenheiros da Universidade do Texas, nos EUA, afirmam ter identificado um material capaz de reduzir a poluição produzida por automóveis movidos a diesel.
O elemento, um tipo de mineral chamado mulita, pode substituir a platina, metal caro usado em motores a diesel para controlar a quantidade de poluição lançada no ar.
O estudo foi publicado na revista "Science" desta sexta-feira (17). Segundo os pesquisadores, uma versão sintética da mulita reduz até 45% mais poluição do que a platina usada em catalisadores de veículos.
Um dos responsáveis pela pesquisa, professor Kyeongjae Cho, da Universidade do Texas, enfatizou a facilidade de produção da mulita, em entrevista ao site da instituição. O mineral é raramente encontrado na natureza e pode ser produzido a partir do topázio.
"Muitos métodos de controlar a poluição de carros ou de usar energias renováveis requerem metais raros ou preciosos", disse Cho. "Nosso objetivo é acabar com a necessidade de usar estes metais e substitui-los com minerais e óxidos que possam ser encontrados ou obtidos facilmente."
O material "alternativo" vai ser comercializado com o nome de Noxicat, afirma o professor. Ele e sua equipe esperam identifcar outros usos da mulita, como para a criação de baterias.
http://g1.globo.com/natureza/noticia/2012/08/cientistas-identificam-material-que-reduz-poluicao-de-veiculos-diesel.html

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Árvores doentes podem aumentar aquecimento global, diz pesquisa

Árvores doentes podem estar gerando metano, um dos gases responsáveis pelo aquecimento global, segundo cientistas da Universidade de Yale, nos Estados Unidos. Eles pesquisaram 60 plantas na floresta de Yale Meyers, na região nordeste do estado de Connecticut, e encontraram concentrações do gás 80 mil vezes maiores do que o normal.
Em condições comuns, a presença do metano é de menos de duas partes por milhão na atmosfera. Nas partes ocas das árvores doentes, os pesquisadores encontraram níveis médios de 15 mil partes por milhão de metano no ar.
A pesquisa foi divulgada na revista "Geophysical Research Letters" ("Cartas de Pesquisa Geofísica", na tradução do inglês). A concentração do metano nas árvores doentes chega a ser inflamável, segundo o coordenador do estudo, Kristofer Covey, da Universidade de Yale.
O pesquisador aponta que as condições encontradas nas árvores são normais em vários locais de floresta no mundo, o que indica que os cientistas podem ter achado uma nova fonte de produção do metano "em escala global".
As árvores doentes têm um potencial de aquecimento global equivalente a 18% do carbono capturado pelas mesmas florestas, reduzindo o benefício climático que elas criariam em cerca de um quinto, segundo Covey.
"Se nós extrapolarmos o que foi encontrado [no estudo] para florestas em escala global, o metano produzido pelas árvores representaria 10% das emissões do mundo", afirmou Xuhui Lee, co-autor da pesquisa e professor de meteorologia em Yale. Ele reconhece que os cientistas "não sabiam da existência" deste processo de criação do metano.
Mais velhas
As árvores que produzem metano são mais velhas e doentes, com idade entre 80 e 100 anos. No caso da floresta de Yale, elas estão sendo afetadas por um fungo que cria condições favoráveis para a proliferação de microorganismos que fabricam o gás.
Ninguém havia pensado que a ideia de podridão causada por fungos, um problema comum em florestas, poderia estar ligado à produção de gases-estufa e ao aquecimento global, reforçam os cientistas.
http://g1.globo.com/natureza/noticia/2012/08/arvores-doentes-podem-aumentar-aquecimento-global-diz-pesquisa.html

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Desmatamento na Amazônia cai 49% entre abril e julho, aponta Inpe

O desmatamento na Amazônia Legal caiu 49% entre abril e julho de 2012, na comparação com o mesmo período do ano passado, informou nesta quinta-feira (2) o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Os dados foram obtidos pelo sistema de detecção do desmatamento em tempo real, o Deter, que utiliza imagens de satélite para visualizar a perda mensal de vegetação no bioma.
Na comparação dos dados do Deter de agosto 2010 a julho 2011 com agosto de 2011 a julho de 2012, houve redução de 23% na devastação do bioma (caiu de 2.679,56 km² para 2.049,83 km²).
Entretanto, o índice oficial anual, fornecido pelo sistema Prodes (Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal) deve ser divulgado apenas nos próximos meses.
Segundo o instituto, entre abril, maio, junho e julho deste ano o desmatamento causou a perda de 651,62 km² de cobertura florestal, uma área equivalente a 36 vezes o tamanho do arquipélago de Fernando de Noronha, em Pernambuco. Nos quatro meses de 2011, a devastação registrada no bioma foi de 1.282,99 km² (uma área maior que cidade do Rio de Janeiro).
Em abril de 2012, houve uma redução de 232,57 km² de floresta. Em maio, a perda foi de 98,85 km²; em junho, uma área de 107,5 km² foi devastada, enquanto que em julho, houve a derrubada de 212,7 km² de mata nativa devido ao desmatamento. A cobertura de nuvens entre abril e junho não alcançou 50%, ou seja, os satélites conseguiram observar boa parte do bioma, que abrange nove estados brasileiros. O dado de julho ainda não estava disponível
Estados
Mato Grosso foi o estado que registrou maior redução na devastação entre 2012 e 2011. Segundo o Deter, MT foi responsável pela perda de 311,84 km² de floresta entre abril e julho (178 km², 34,32 km², 47,68 km² e 51,52 km²respectivamente) -- queda de 50% na comparação com o mesmo período do ano passado.
Em 2011, uma intervenção do governo federal foi necessária no estado devido ao ritmo intenso de degradação da vegetação. Na época, o ministério do Meio Ambiente anunciou a criação de um "gabinete de crise" para "sufocar" o ritmo de destruição na região.

Ainda na análise do quadrimestre de 2012, o Pará foi responsável por derrubar 187,82 km² de vegetação, sendo que em julho houve o maior índice, 92,98 km², sendo o estado que mais desmatou a floresta amazônica no último mês analisado. Rondônia vem em seguida, com 91,61 km².
Imagem aérea mostra desmatamento na Amazônia. Perda da cobertura vegetal no bioma pode acarretar na extinção de diversas espécies de animais. (Foto: Divulgação/Toby Gardner/Science)Imagem aérea mostra desmatamento na Amazônia. Segundo o Inpe, bioma perdeu 651 km² de cobertura vegetal entre abril e julho deste ano. (Foto: Divulgação/Toby Gardner/Science)
Menor índice histórico
Em junho, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, anunciou que a Amazônia Legal teve o menor índice de desmatamento dos últimos 23 anos. Segundo Inpe, a região teve 6.418 km² de floresta desmatada entre agosto de 2010 e julho de 2011 -- equivalente a quatro vezes o tamanho da cidade de São Paulo.
Foi a menor taxa desde que o instituto começou a fazer a medição, em 1988, e houve uma redução de 8% em relação ao mesmo período em 2009 e 2010. No entanto, em dezembro do ano passado, o Inpe havia divulgado uma expectativa de desmate de 6.238 km² -- alta de 3%.
O número foi obtido a partir dos dados consolidados do sistema Prodes (Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal), que consolida informações coletadas ao longo de um ano por satélites capazes de detectar áreas desmatadas a partir de 6,25 hectares.
  (Foto:  )

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Estudo do Inpa revela causas da morte de árvores na Amazônia

Tempestade, fatores biológicos e estresse. Esses foram os principais fatores da morte de árvores durante um estudo de mestrado realizado no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) pela estudante Clarissa Gouveia pelo período de um ano.
Orientado pelo pesquisador do órgão, Niro Higuchi, o estudo foi feito em dois espaços com uma área de 20 x 2500 m cada, totalizando 5.808 árvores, sendo catalogadas 67 mortes.
Segundo o estudo, período chuvoso é o nível de mortalidade das árvores costuma ficar maior, principalmente, devido à quantidade de tempestades e raios típicos da época. “Na região atingida pelo raio, geralmente encontra-se mais de um individuo morto, representados por mais de uma espécie, além de provocar a morte parcial ou total da regeneração natural do lugar”, esclarece a mestranda.
Árvore na área de preservação da Ufam Manaus (Foto: Adneison Severiano G1/AM)Árvores morrem mais na Amazônia durante o período de chuvas na região (Foto: Adneison Severiano G1/AM)
A maioria das árvores na Floresta Amazônica possuem copas assimétricas e as tempestades são capazes de aumentar o peso da copa, provocando a queda das árvores para o seu lado mais pesado. Existem, ainda, registros de tempestades de vento que podem matar milhares de árvores em apenas poucos dias, são os chamados downburst ou roça de ventos.
Já as mortes classificadas como fatores biológicos e de estresses são relacionadas a competição e supressão entre espécies, déficit hídrico, alagamentos, e ataques patógenos. “No momento que a árvore morre, ela continua a influenciar os organismos ao seu redor, auxiliando no equilíbrio e desenvolvimento de outros organismos. E, também, cooperando na mudança de biomassa, no fornecimento de luz, nutrientes e na umidade da floresta”, explica Clarissa.
Amazônia rio com plantas (Foto: Ana Castro - produtora de reportagem (TV Globo))Tempestades com raios e fortes ventos são um dos principais fatores para a morte de árvores na Amazônia (Foto: Ana Castro - produtora de reportagem (TV Globo)
A mortalidade arbórea é um processo natural no ecossistema florestal, pois influencia na estrutura, dinâmica, estoque de carbono e reciclagem de nutrientes. Mas, quando a mortalidade é maior que a capacidade de resistência da floresta, as consequências em longo prazo podem ser preocupantes. “São observadas mudanças nas taxas de evapotranspiração, temperatura, umidade e na estrutura das espécies”, ressalta Fontes.
O pioneirismo da pesquisa foi uma contribuição essencial para a comunidade científica, auxiliando na criação de novas perspectivas. “O desejo é que o estudo seja conduzido por mais tempo e em novas áreas para que possamos verificar um possível padrão de comportamento”, almeja Fontes, ressaltando a concepção de um banco de dados maior para a determinação mais exata das variações no clima e a sua relação com a mortalidade arbórea durante determinado período.
Ministério do Meio Ambiente vai reforçar fiscalização na área de fronteira agrícola entre os estados do Amazonas e Rondônia (Foto: Divulgação/Ibama)Infestação de insetos e fungos são outras causas de morte das árvores na Amazônia (Foto: Divulgação/Ibama)
Além das mudanças do tempo, pode-se destacar como influenciadores da mortalidade das árvores as infestações das mesmas por lianas, insetos e fungos. Durante o período da pesquisa, uma espécie foi morta pela hemi-epífita estranguladora Apuí e três outras por fungos patogênicos: duas por Ganoderma sp e uma por Auricularia delicata Fries.
“Esse tipo de estudo pode melhorar o entendimento das vulnerabilidades de nossas árvores diante de eventos catastróficos que vem ocorrendo na Amazônia, principalmente aquelas relacionadas com secas e tempestades”, concluiu a estudante.
Amazônia (Foto: Ana Castro - produtora de reportagem (TV Globo))
http://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2012/07/estudo-do-inpa-revela-causas-da-morte-de-arvores-na-amazonia.html

quinta-feira, 5 de julho de 2012

MPF denuncia 5 por extração ilegal de madeira em terra indígena de MT

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou cinco pessoas por exploração ilegal de madeiras na terra indígena do povo Kayabi, em Apiacás, a 1.005 km de Cuiabá. O crime foi descoberto durante uma fiscalização da Polícia Federal, no dia 5 de junho de 2011. Fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) também fizeram o flagrante da exploração ilegal no dia 16 do mesmo mês.
Conforme a denúncia, no local foram encontradas 107 toras de diversas espécies florestais extraídas pelos denunciados, além de dois tratores, uma motosserra, dois caminhões e uma espingarda de calibre 38.
 

Atuação
De acordo com a denúncia, dois auxiliares de serviços gerais, com uso de motosserras, eram os responsáveis pela derrubada das árvores. Um terceiro funcionário e o tratorista arrastavam e arrumavam as toras derrubadas, em clareiras próximas à estrada. As toras eram transportadas por eles para serem vendidas em cidades da região.
Os investigados foram denunciados por furtar; desmatar, explorar economicamente ou degradar floresta, plantada ou nativa, em terras de domínio público ou devolutas, sem autorização do órgão competente. Também utilizar motosserra em florestas e nas demais formas de vegetação, sem licença ou registro da autoridade competente e portar ilegalmente arma de fogo.

Segundo o MPF, a fiscalização foi realizada em razão do conhecimento de que a terra indígena Kayabi vem sendo alvo de posseiros da região que estão promovendo a derrubada predatória da floresta para a extração de madeira e intitulam-se proprietários de glebas no interior da reserva.

http://g1.globo.com/mato-grosso/noticia/2012/07/mpf-denuncia-6-por-extracao-ilegal-de-madeira-em-terra-indigena-de-mt.html


terça-feira, 26 de junho de 2012

Governo muda limites de unidades de preservação para viabilizar usinas

O Diário Oficial da União desta terça-feira (26) publicou uma alteração nos limites de oito unidades de preservação ambientais localizadas na região da Amazônia. Um dos objetivos da mudança é viabilizar a construção de usinas hidrelétricas no Complexo do Tapajós, no Pará, e também da usina de Santo Antônio, em Rondônia.Com a redefinição dos limites, áreas que antes eram protegidas por lei poderão ser alagadas pelas represas dessas usinas. Em contrapartida, as unidades de preservação serão ampliadas em outros pontos.Na soma das oito unidades remarcadas, 164.480 hectares perderam o status de área protegida, mas 185.419 hectares foram incorporados. Ou seja, as áreas protegidas tiveram um aumento líquido de 20.939 hectares.Usina Hidrelétrica Santo Antônio está gerando energia desde março deste ano (Foto: Divulgação/Santo Antônio Energia)Usina Hidrelétrica Santo Antônio, em Rondônia (Foto: Divulgação/Santo Antônio Energia)“Nós não iríamos autorizar sem que houvesse a redefinição dos limites”, garantiu Roberto Vizentin, presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão do Ministério do Meio Ambiente que participou do processo de redefinição dos limites. “É uma perda calculada, a gente perdeu de um lado e ganhou do outro”, definiu.Segundo Vizentin, foi feito um estudo de campo para garantir que as novas áreas incorporadas às unidades de preservação tenham biodiversidade semelhante à das áreas inundadas, para evitar a perda de espécies ameaçadas.Além da construção das hidrelétricas, a presença de trabalhadores rurais na região também motivou a alteração dos limites. Vizentin contou que comunidades tradicionais ocupavam a área havia muito tempo, antes mesmo da demarcação das unidades de preservação, e que essas áreas deixaram de ser protegidas para permitir a regularização das terras.“É uma medida de natureza mais social que qualquer outro tipo de flexibilização para legalizar grilagem de terras em unidades de conservação. Não se confundem as coisas”, afirmou o presidente da ICMBio.As unidades afetadas pela medida que entrou em vigor nesta terça são os Parques Nacionais da Amazônia (PA e AM), dos Campos Amazônicos (AM, RO e MT) e Mapinguari (RO), as Florestas Nacionais de Itaituba I (PA), Itaituba II (PA), do Crepori (PA) e do Tapajós (PA) e a Área de Proteção Ambiental do Tapajós (PA).

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Crise e incertezas não podem fragilizar apoio à Rio+20, diz Dilma

A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quarta-feira (20) que a crise financeira mundial tende a fragilizar a disposição dos países a um acordo vinculante, mas que "não podemos deixar isso acontecer". O discurso foi feito na abertura cerimonial da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento, a Rio+20.
Chefes de Estado estão reunidos no Rio de Janeiro para assinar um acordo de promoção do desenvolvimento sustentável.
“Em um momento como este, de incertezas em relação ao futuro da economia internacional, é forte a tentação de tornar absolutos os interesses nacionais. A disposição política para acordos vinculantes fica muito fragilizada. Não podemos deixar isso acontecer”, disse Dilma.
"Tenho convicção – e esta conferência é disto uma prova – de que é grande nossa vontade de acordar. (...) A recuperação para ser estável tem de ser global.”
Segundo a presidente, "a crise financeira e as incertezas que pairam sobre o futuro da economia mundial dão uma significação especial à Rio+20".
No discurso, a presidente afirma que importantes economias estão "em crescimento muito lento, quando não estão em recessão, e sofrem abalos em suas contas públicas e em seus sistemas financeiros".
"É certo que os países em desenvolvimento passaram a responder por parcela cada vez mais significativa do crescimento mundial."
Dilma disse que o "Brasil tem procurado fazer a sua parte" e criticou políticas de ajuste que "atingem a parte mais frágil da sociedade: os trabalhadores, as mulheres, as crianças, o imigrante, o aposentado, o desempregado, sobretudo, quando se tratam de jovens".
"São modelos de desenvolvimento que esgotaram sua capacidade de responder aos desafios contemporâneos."
Segundo a presidente, a concretização do desenvolvimento sustentável pode ser traduzida em três palavras: "crescer, incluir e proteger". Dilma afirmou ainda que "várias conquistas de 1992 (Eco 92) que ainda permanecem no papel". “Nossa conferência deve gerar compromissos firmes no ramo do desenvolvimento sustentável. Temos que ser ambiciosos", discursou.
"A tarefa que nos impõe a Rio+20 é desencadear o movimento de renovação de ideias e de processos, absolutamente necessários para enfrentarmos os dias difíceis em que hoje vive ampla parte da humanidade", afirmou a presidente.
"Sabemos que o custo da inação será maior que o das medidas necessárias, por mais que essas provoquem resistências e se revelem politicamente trabalhosas", complementou.
'Consenso'
Dilma também elogiou o documento apresentado pelas delegações aos chefes de Estado, para aprovação que, segundo ela, "consagra avanços importantes". Na terça, delegações receberam e aprovaram um texto com 49 páginas (Veja ao final algumas das principais medidas discutidas e aprovadas).
"O texto aprovado pelas consultas pré-Conferência representa o consenso entre os diversos países aqui presentes. É o resultado de grande esforço de conciliação e aproximação de posições para avançarmos concretamente na direção do futuro que queremos."
Entre os avanços do documento, afirmou Dilma, está a introdução da erradicação da pobreza como "maior desafio global que o mundo enfrenta".
"Pela primeira vez, num documento deste tipo, falamos da igualdade racial e não-discriminação", destacou. "Mas caberá a nós, dirigentes mundiais, chefes de Estado e de governo, ministros, funcionários, enfim, aos representantes das nações aqui presentes demonstrarmos capacidade de liderar e de agir."

http://g1.globo.com/natureza/rio20/noticia/2012/06/dilma-e-secretario-geral-da-onu-fazem-discursos-oficiais-na-rio20.html

sábado, 16 de junho de 2012

Delegados apontam impasses nas negociações da Rio+20

Em reunião fechada, delegados apresentaram a seus pares, na madrugada deste sábado (16), os resultados dos três primeiros dias de negociação do Comitê Preparatório da Rio+20, Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável. A plenária foi fechada à imprensa, mas o G1 detalha com exclusividade parte dos resultados mencionados pelos líderes dos grupos de trabalho que conduziam as negociações, a que teve acesso por meio de uma transmissão do encontro que foi interrompida após cerca de 30 minutos.
Na reunião, com a presença dos ministros de Relações Exteriores, Antonio Patriota, e do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, os chefes dos grupos de trabalho criados para fechar trechos do texto final da Rio+20 expuseram o que foi debatido até então. A maioria dos delegados afirmou que as negociações avançaram, mas destacaram que ainda falta consenso em pontos controversos.
O chefe do grupo que debateu os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável afirmou que houve “avanço” no texto, mas que ainda há divergência sobre temas como a implementação das metas a serem firmadas. Um dos principais impasses nas negociações da Rio+20 é o financiamento das ações de fomento ao desenvolvimento sustentável.
Na reunião fechada, o secretário-geral da Rio+20, o chinês Sha Zukang fez um discurso em tom nada otimista. “Ainda há muito trabalho a ser feito”, admitiu Zukang. “Por quase dois anos nós estivemos preparando-nos para esta conferência, e nas horas finais, ainda não estamos onde deveríamos estar”, prossegue o texto do discurso. “Nosso trabalho duro não pode ser em vão. Não podemos aceitar isso”.
Por causa das divergências, os grupos de trabalho continuarão a debater o texto até a próxima terça-feira (19). Os embaixadores André Corrêa do Lago e Luiz Alberto Figueiredo, negociadores-chefes do Brasil na Rio+20, não quiseram dar entrevistas após a reunião. O ministro Antonio Patriota também se recusou a responder a perguntas dos jornalistas.
Saiba a seguir detalhes do que foi dito na reunião de delegados, que começou por volta das 11h e terminou depois da meia-noite:
Economia Verde
O tema foi apresentado pela delegação do Canadá. Segundo os negociadores, o trabalho do grupo teve progresso considerável nesta sexta-feira (15). “Temos acordo em sete parágrafos, e cinco subparágrafos [do rascunho]. A discussão foi muito construtiva, com espírito de colaboração e flexibilidade, o que contribuiu para o progresso”, disse a delegação do país.
“Dos parágrafos em que temos acordo, há uma moldura importante para a economia verde e alguns parágrafos que tratam de temas que foram difíceis para muitas delegações. Considerando isso, o progresso é muito positivo. A perspectiva de acordo é muito boa.”
Produtos Químicos
A delegação do México declarou que já há acordo sobre a maior parte do texto nesta área "Apenas alguns poucos assuntos continuam em aberto. Temos confiança de que, com o progresso alcançado, podemos levar adiante um texto que vai permitir o processo de encontrar um bom resultado nesse tema.”

Desertificação
Segundo o delegado da Austrália, que apresentou o balanço das negociações sobre o tema, “o grupo fez um ótimo progresso e a ampla maioria do texto em geral já foi acordado. Em termos de parágrafos acordados em rascunho, dois dos cinco parágrafos, o 1 e o 5, foram acordados e muito dos outros parágrafos também.”

Segundo ele, um tema que continua em aberto é a “proposta para um compromisso para um mundo livre de degradação da terra, que continua em discussão”. No mais, há alguma discussão sobre linguagem.
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e Meios de Implementação
Segundo o delegado de Barbados, que apresentou o balanço das negociações dos dois temas, houve muito progresso ao longo do dia. “Tivemos discussões extremamente úteis no grupo de ODS. Nossa proposta recebeu muito interesse das delegações, mas não tivemos tempo para finalizar as consultas. Até que possamos fazer progresso no processo é pouco provável que consigamos desbloquear muitos dos assuntos que estão sendo discutidos”, disse.

Em relação aos meios de implementação, ele disse que também houve um bom progresso. “As discussões foram vívidas e os delegados demostraram muita flexibilidade. Houve o entendimento sobre como os assuntos precisam ser lidados no corpo da seção.”
 
Ele disse que houve acordo na maior parte da seção sobre capacitação, “exceto por detalhes menores." "O G77 e os Estados Unidos não deram retorno para finalizar este paragrafo,” criticou.
Houve ainda a proposta de “deletar toda a seção de comércio, com exceção do primeiro parágrafo, que já foi acordado. Algumas delegações ainda não deram retorno para esta opção.”
Água e Mudança Climática
As delegações chegaram a acordo em dois parágrafos relativos a água, segundo a delegada da Guatemala, que apresentou os avanços no tema. “Não houve acordo em detalhes mais específicos e faltou acordo em relação a águas internacionais.” Ela alegou que ainda é preciso atingir o equilíbrio em relação a mudanças climáticas.
Redução de Desastres
A delegação do Japão alegou que houve progresso nas negociações e que “foi formada uma mensagem simples, mas forte".
http://g1.globo.com/natureza/rio20/noticia/2012/06/delegados-apontam-impasses-nas-negociacoes-da-rio20.html

quinta-feira, 7 de junho de 2012

ONU afirma que crise ambiental no planeta é grave, mas tem solução

Relatório divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) nesta quarta-feira (6) no Rio de Janeiro aponta que nas duas últimas décadas houve agravamento do desmatamento das florestas, da pesca excessiva, da poluição do ar e da água, além das emissões de gases causadores do efeito estufa.

A divulgação acontece uma semana antes do início da Rio+20, Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que inicia dia 13 e segue até o dia 22 de junho.
O documento denominado "Panorama Ambiental Global (Geo-5)" aponta que das 90 metas e objetivos ambientais que se tornaram referência a partir da Rio 92, apenas quatro foram cumpridas. A conferência ambiental realizada no Rio de Janeiro criou tratados para o clima, biodiversidade e desertificação, além da Agenda 21.

Mas o relatório afirmou também que há esperança e que ainda é possível obter crescimento econômico favorável ao meio ambiente, apesar dos desafios da população humana crescente, expansão da urbanização e o apetite insaciável por alimentos e recursos.

A seguir estão algumas das principais conclusões do Geo-5, quinto levantamento da saúde ambiental global e que contou com a colaboração de 600 especialistas. O primeiro panorama foi elaborado em 1997.

Emissões na França (Foto: Joel Saget/AFP)A Região da Ásia-Pacífico vai contribuir com 60% das emissões globais até 2100, diz a ONU. (Foto: Joel Saget/AFP)
Metas verdes
O relatório GEO-5 disse que foi feito progresso significativo para eliminar a produção e utilização de produtos químicos que destroem a camada de ozônio, remoção do chumbo dos combustíveis, aumento do acesso a fontes melhoradas de água e mais pesquisas para reduzir a poluição do ambiente marinho.

A redução dos riscos de saúde alcançada pela eliminação progressiva dos combustíveis à base de chumbo tem benefícios econômicos estimados em US$ 2,45 trilhões por ano (cerca de 4% do Produto Interno Bruto global).

De acordo com o panorama, houve pouco progresso em 40 metas, incluindo a expansão de áreas protegidas, como parques nacionais, enquanto pouco ou nenhum progresso foi detectado em 24 delas --incluindo as alterações climáticas, estoques de peixes e desertificação e seca.
Oito objetivos mostraram mais deterioração, incluindo a situação dos recifes de coral do mundo.

O planeta hoje
Análise dos modelos atuais mostra que as emissões de gases de efeito estufa podem dobrar nos próximos 50 anos, levando a um aumento na temperatura global de 3 graus Celsius ou mais até o final do século. Perdas na agricultura, danos de eventos climáticos extremos e os maiores custos de saúde vão reduzir o PIB global.

A região da Ásia-Pacífico vai contribuir com cerca de 45% das emissões de CO2 globais relacionadas à energia até 2030 e por volta de 60% das emissões globais até 2100, num cenário normal.

China, Índia e Coreia do Sul estão promovendo energia renovável e eficiência energética e concordaram com metas voluntárias de redução de emissões, em uma virada positiva em relação a uma energia mais verde.

Cerca de 20% das espécies de vertebrados estão ameaçadas. O risco de extinção aumenta rapidamente para os corais do que para qualquer outro grupo de organismos vivos, com a condição dos recifes de coral declinando 38% desde 1980. Retração ápida é projetada até 2050.

Os estoques de peixes diminuíram a uma taxa sem precedentes nas últimas duas décadas. A pesca mais do que quadruplicou entre os anos de 1950 e 1990, com o registro de estabilização ou diminuição até então.

Vai faltar água
Mais de 600 milhões de pessoas devem ficar sem acesso a água potável até 2015, enquanto mais de 2,5 bilhões de pessoas não terão acesso a saneamento básico. Desde 2000, os reservatórios de água subterrânea se deterioraram ainda mais, enquanto o uso mundial de água triplicou nos últimos 50 anos.

http://g1.globo.com/natureza/rio20/noticia/2012/06/onu-crise-ambiental-no-planeta-e-grave-mas-tem-solucao.html

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Supererupções vulcânicas podem ocorrer em poucos milhares de anos

As supererupções vulcânicas, com potencial de acabar com civilizações inteiras, podem chegar ao seu ponto máximo em centenas ou poucos milhares de anos, sugere um estudo da Universidade Vanderbilt, nos Estados Unidos, publicado na revista científica “PLoS One”.
Esse tempo é bem mais curto do que os tradicionais 200 mil anos ou mais, considerados entre os pesquisadores como certo entre a formação do magma e a erupção em si.
Conhecidas como supererupções por terem mais de cem vezes a dimensão de uma erupção vulcânica comum, elas expelem fluxos enormes de gás superaquecido, cinzas e rocha capaz de cobrir continentes inteiros e de injetar partículas suficientes na estratosfera para jogar o clima global em décadas de longos invernos vulcânicos.
Perspectiva tridimensional de Long Valley, na Califórnia, criada a partir de dados obtidos por um radar a bordo do ônibus espacial Endeavour.  (Foto: NASA/JPL)


Há evidências de que uma supererupção ocorrida na Indonésia há 74 mil anos foi determinante para a quase extinção de toda a espécie humana.
Geólogos afirmam que a supererupção é produzida por uma enorme piscina de magma que se forma a quilômetros abaixo da superfície e então ferve por 100 mil a 200 mil anos antes da erupção.
“Nosso estudo sugere que quando essa extensa piscina de magma se forma elas são efêmeras e não podem existir por muito tempo sem a erupção”, disse o autor do estudo, Guilherme Gualda, professor de Ciências do Meio Ambiente e da Terra, da Universidade Vanderbilt.
O estudo foi realizado no vulcão Long Valley, na Califórnia, local que já foi palco de uma supererupção. Usando métodos mais modernos para datar o processo de formação do magma, Gualda e seus colegas pesquisadores encontraram evidências de que o processo de sua formação foi feito provavelmente entre 500 a 3 mil anos antes da erupção.
Ao analisarem a idade do magma pela análise de quartzo cristalizado, um mineral encontrado de forma abundante em Long Valley, eles chegaram ao cálculo.
“O fato é que o processo de formação do magma ocorre no tempo histórico, em vez do tempo geológico, o que muda completamente a natureza do problema”, disse Gualda.
 http://g1.globo.com/natureza/noticia/2012/05/supererupcoes-vulcanicas-podem-ocorrer-em-poucos-milhares-de-anos.html